O que realmente importa?
O que realmente importa?
Creio que esta seja a última postagem deste ano e, talvez, deste blog. Ou talvez não. Isso vai depender dos próximos dias.
Contudo, o título já dá uma ideia de que as próximas linhas serão escritas única e exclusivamente para emitir a minha opinião sobre algo. Neste caso, sobre alguma coisa ligada à música, que é justamente o que me proponho a fazer neste blog: falar sobre assuntos relacionados ao universo musical.
Outra coisa que me ocorreu foi lembrar aos leitores, que muito me honram com sua atenção, qual é a verdadeira intenção de emitir uma opinião.
E qual seria essa intenção?
Simples: fazer outras pessoas pensarem a respeito e, com muita sorte, contribuir para que elas também construam e emitam suas próprias opiniões.
Dito isso, faço novamente a pergunta:
O que realmente importa na música?
São os músicos que tocam em determinado álbum?
Quem escreveu as letras?
Quem compôs as músicas e os arranjos?
Quem promoveu o trabalho?
Quem produziu?
Onde foi gravado?
Como foi gravado?
Em que época?
Responder a essas perguntas pode apontar para algum caminho, mas qual?
Eu ainda não cheguei a nenhuma conclusão a respeito e acredito que talvez nem exista uma resposta exata. Afinal, a qualidade de um trabalho também passa pelo gosto de cada pessoa.
Entretanto, sempre haverá discussões a respeito desse tema, afinal, estamos falando de algo que mexe diretamente com a paixão das pessoas: a música.
Criei uma espécie de fórmula para tentar deixar a coisa um pouco mais científica e colocar em prática a busca por essa resposta. Claro que provavelmente não chegaremos a lugar algum com isso, mas, pelo menos, será divertido.
Seria interessante se outras pessoas reservassem um tempo para testar o método e depois dessem algum retorno.
Então, vamos à metodologia.
Um método para descobrir o que importa em um álbum
Monte um relatório físico, virtual e/ou apenas mental;
Escreva os 10 álbuns que você mais gosta de ouvir — é interessante já ter uma lista particular;
Responda às perguntas mencionadas anteriormente, de preferência seguindo esta ordem:
Depois de fazer isso, podemos ouvir cada álbum novamente e fazer anotações a respeito de cada música e do trabalho como um todo.
Podemos registrar coisas que chamam nossa atenção ou tentar entender por que gostamos tanto de determinado trabalho.
Também é possível colocar detalhes como a duração das músicas e do álbum completo, emitir uma opinião sobre a capa, fazer observações sobre o momento vivido por cada artista e analisar o contexto em que cada canção foi escrita e gravada.
Tudo isso vai gerar um verdadeiro oceano de informações das mais diversificadas.
Por isso, é um trabalho para quem realmente ama música.
Para muitas pessoas, porém, essa pode ser uma tarefa relativamente fácil, principalmente para quem já tem o hábito de ler biografias e buscar informações sobre seus artistas favoritos.
O que as histórias dos artistas podem nos ensinar?
Para encerrar esta postagem, menciono três biografias que adquiri há pouco tempo e que estou lendo: obras sobre Ozzy Osbourne, Bruce Dickinson e Max Cavalera, três personalidades bastante representativas do Heavy Metal, estilo musical que eu amo.
Confesso que ler “Eu Sou Ozzy” tem sido muito divertido e está me proporcionando momentos de muito prazer.
É muito divertida a forma como Ozzy narra sua história. Também é interessante conhecer, através de seu próprio relato, a importância de cada integrante do Black Sabbath, como viviam, do que gostavam e o que faziam.
E é justamente nesse ponto que volto à pergunta inicial:
Afinal, o que realmente importa?
Para muitos, importa aquilo que sai dos alto-falantes.
Para outros, importa todo o processo de composição, produção e gravação musical.
Para o artista, talvez importe o registro de determinado momento de sua vida e aquilo que o trabalho representou na época em que foi lançado.
É uma pergunta que pode ter inúmeras respostas.
Mas, para os técnicos, minimalistas que passam horas discutindo em fóruns e criticando todo mundo, eu posso responder aquilo que, na minha opinião, realmente não importa:
O ano em que o álbum foi lançado;
Onde ele foi gravado;
Com quais equipamentos foi gravado.
E isso sem mencionar muitas outras coisas.
Não existe uma fórmula para o sucesso. Se existisse, não haveria álbuns ruins, músicos pobres e todo esse tipo de situação.
Arte é, acima de tudo, entretenimento.
É algo que apreciamos e fazemos por prazer.
Qualquer outra forma rígida de classificá-la pode se tornar hipócrita e corruptível.
Discutimos arte porque gostamos de tudo o que existe ao seu redor.
Estudamos arte para poder fazê-la e apreciá-la com mais propriedade e profundidade.
Buscamos ser melhores quando lidamos com arte por amor a ela, e não por acreditar que exista uma fórmula secreta para alcançar o sucesso.
São tantos os músicos tecnicamente medianos que deram ao mundo obras geniais.
São tantos os porões fedorentos que serviram para registrar trabalhos incríveis.
O que realmente importa?
Bom, espero que este texto seja útil para alguém que queira fazer esse estudo e, quem sabe, chegar a alguma conclusão.
E, por favor, reserve um pouco do seu tempo para ouvir boa música, conhecer coisas interessantes, ler bons livros, estudar um instrumento e tocar com sua banda ou com seus amigos, se for o caso.
Não gaste tanto tempo discutindo em fóruns qual equipamento é melhor, qual banda é melhor ou qual guitarrista é melhor.
Deixe esse tipo de coisa mais no nível da curiosidade.
Porque, no fim das contas, o que realmente importa na música é o todo.
É o ambiente criado em torno de um álbum, de um show ou de uma música.
Apenas procure ouvir aquilo que lhe dá prazer e deixe as coisas desagradáveis para quem as aprecia.
Sua relação com a música — e, provavelmente, sua vida — será muito mais interessante.
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