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Tempestades

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  Dando sequência aos lançamentos dos chamados “filhos feios”, chegou o momento de apresentar ao mundo o EP Tempestades (clique aqui para ouvir) . Esse trabalho, inicialmente lançado em uma plataforma fechada, recebeu muitas críticas negativas. A mais significativa veio de um membro da comunidade que considerou as temáticas das faixas Bilhete de Suicídio e Morrer extremamente pesadas. Naquele período, o público conhecia apenas versões alternativas: Antidote para Bilhete de Suicídio e When You Crossed My Way para Morrer . Embora fossem composições de momentos distintos, ao reunir músicas em um mesmo trabalho é necessário que exista afinidade — seja temática, estética ou contextual — e, no caso de Tempestades , esse fio condutor está presente. A faixa Nicho do Mal retrata um cenário caótico, com monstros nas ruas, crimes, mortes e um clima apocalíptico típico do heavy metal. Sua origem remete à versão Madness of the Streets , da banda Waiftown. Já Vingança , também extraída do...

Progredir ofende

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  É evidente que todo esforço empreendido em um projeto — seja um relacionamento, uma carreira, uma nova habilidade ou qualquer movimento que represente uma mudança significativa — terá aspectos positivos e negativos. O principal aspecto negativo é a possibilidade real de que tal ação não traga resultados imediatos, atraia mais críticas do que apoio ou, até mesmo, pareça tardia quando finalmente começar a dar retorno. O fato é que o “universo” conspira a favor toda vez que você decide sair da inércia. Porém, para que seus projetos se materializem, pode ser necessário deixar algumas pessoas pelo caminho e fazer sacrifícios inesperados. Mudanças não seguem uma ordem definida: às vezes, quem precisou ser afastado representava um grande empecilho; outras vezes, o sacrifício exigido é simplesmente o preço a pagar para alcançar o que se deseja. O que gera essa força aparentemente contrária é, muitas vezes, a reação do meio em que se está inserido. As pessoas próximas não necessariament...

Noites de inverno (single)

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            Em algum momento de 2014, decidi retornar ao formato Apple + Pro Tools , que já havia utilizado alguns anos antes. Por comodidade, adquiri uma interface da Avid , da linha Fast Track — fruto da época em que a empresa havia incorporado a M-Audio. O pacote incluía uma versão do Pro Tools Express , um iLok e outros acessórios necessários para o funcionamento do pacote. Lembro-me de ter pesquisado na internet e encontrado um vídeo tutorial do produtor musical Warren Huart , que demonstrava como gravar faixas utilizando exatamente esse conjunto. Já havia adquirido um Mac Mini , e foi nesse ambiente que comecei a registrar uma versão adaptada das músicas da Evocation utilizando meus instrumentos de praxe, uma guitarra Epiphone Les Paul Standart e meu baixo Cort B4 .            A ideia surgiu após a tentativa fracassada de reunir a banda em 2015. Apesar do insucesso da empreitada, dessa reunião nasceram duas gravações: D...

Quantas fontes de renda extra se pode ter?

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  Tradicionalmente, as pessoas do meu entorno — e também aquelas com quem tenho contato por meio da mídia ou das redes sociais — mantêm uma única fonte de renda constante, seja emprego formal, sociedade, trabalho autônomo ou comércio. A minha formação cultural não foi diferente: o ideal seria estudar (algo que não fiz a contento quando deveria), arrumar um “bom emprego”, trabalhar por três décadas e, finalmente, se aposentar. Essa lógica predominante, de que dinheiro se troca por tempo, limita as possibilidades. Mesmo que alguns se esforcem em turnos dobrados, a essência continua a mesma: vender horas de vida em troca de remuneração. Eventualmente, alguém vende algo para saldar uma dívida ou obter dinheiro extra, mas raramente isso se torna uma prática recorrente. O impacto da internet Com o advento da internet, um volume gigantesco de informações passou a estar disponível. É verdade que boa parte desse conteúdo é irrelevante — memes, fofocas e teorias absurdas — mas também sur...

A história por trás do videoclipe de Broken

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A perturbadora história por trás do videoclipe da música Broken , lançado pela Heavinna na última semana de novembro, é verdadeira e remonta à década de 1990 em Cachoeirinha/RS. Por motivos de segurança e privacidade, os nomes dos envolvidos foram substituídos por fictícios, o que naturalmente dificulta qualquer checagem dos fatos. Ainda assim, o objetivo deste relato não é jornalístico ou histórico, mas sim didático e cultural . Broken integra a série de lançamentos que chamo de “filhos feios”, já explicados em um texto anterior, onde detalho aspectos técnicos da gravação ( link ). A escolha dessa faixa para ganhar um videoclipe não foi aleatória: no momento da composição, a história que inspiraria o clipe estava viva em minha memória, pois eu mesmo atravessava uma situação semelhante. A letra, simples e direta, nasceu da necessidade de expressar sentimentos imediatos, sem grandes elaborações poéticas. Musicalmente, foi uma homenagem às sonoridades de Van Halen e Extreme , ainda qu...

O Coringa e sua mensagem oculta

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Estava assistindo ao filme Coringa (2019), dirigido por Todd Phillips — uma tarefa que adiei por seis anos — e cheguei a algumas conclusões um tanto polêmicas. Desde já, adianto que o que mais me chamou atenção no longa não foi seu aspecto artístico. Para uma obra que alcançou tamanho sucesso, elementos como fotografia, roteiro, atuação, ritmo e trilha sonora foram, em minha percepção, tratados com certa negligência. O que realmente merece destaque é o apelo que o filme exerce sobre os jovens e a repercussão que teve entre eles. Inclusive, o próprio algoritmo da plataforma de streaming utilizada para assistir Coringa revelou a mensagem subjacente da obra ao sugerir, como conteúdo relacionado, um documentário sobre Charles Manson. A proposta de um Coringa sem Batman soa como uma espécie de “ode ao vilão”. Se em O Cavaleiro das Trevas o antagonista do Homem-Morcego foi elevado a um patamar artístico brilhante pela interpretação de Heath Ledger — que fez emergir um personagem genial a...

Nostalgia ou incapacidade de viver no presente

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  Quando olho para o passado e me recordo das pessoas que se foram — meus avós, tios, tios-avôs, primos, conhecidos, ex-colegas de escola e trabalho — penso no quanto foram relevantes (ou não) para a minha vida e no espaço que deixaram vazio. Mas essa suposta lacuna sequer existe. Como a natureza nos mostra, o vazio não existe de fato, pois o ar costuma ocupar os espaços onde havia um objeto ou uma pessoa. Entretanto, pessoas não substituem pessoas, pois cada ser humano é único na perspectiva de outro indivíduo. Diante de um dilema aparentemente fútil, esconde-se uma armadilha traiçoeira e muito eficaz nos dias atuais. Quem acaba caindo nela — e todos caem em algum momento — é acometido por depressão ou ansiedade. Não à toa, esses são os grandes males do novo milênio. Quem teria armado essa armadilha? A psiquiatria, os psicólogos, a indústria farmacêutica, os políticos, os empresários gananciosos, os líderes religiosos, a indústria do entretenimento — ou todos juntos? A resposta ...