Roadshow Avid para home studios
Roadshow Avid para home studios
Minha experiência com o Pro Tools 12
Em janeiro de 2013, fiz um curso de home studio no IGAP-RS, buscando conhecimento nas áreas de gravação e mixagem em estúdio doméstico. Posso dizer que o investimento feito na época teve retorno quase imediato, pois foi o pontapé inicial para colocar em prática meu projeto de home studio.
Pois bem. Fui convidado a participar de uma apresentação de aproximadamente quatro horas sobre as soluções propostas pela Avid para produção musical e audiovisual, com maior foco na gravação de áudio.
O palestrante foi Eduardo Andrade, que, entre outras atividades, é especialista em soluções da Avid, engenheiro de som e produtor musical.
A ideia era demonstrar o Pro Tools 12, as interfaces de áudio Duet e Quartet, desenvolvidas em parceria com a Apogee, e as linhas S3 e S6, que são superfícies de controle EUCON. Também seria feita uma breve apresentação dos novos conceitos da empresa e de sua linha de produtos.
Em resumo, a apresentação aconteceu em uma das salas de aula da escola onde o IGAP está instalado. Participaram donos de estúdios, produtores, músicos e entusiastas da área, todos trabalhando direta ou indiretamente com estúdios, produções musicais ou sonorização ao vivo.
Eduardo Andrade conduziu sua apresentação de forma bastante descritiva, ilustrando o conteúdo com o apoio de slides. Em um segundo momento, apresentou alguns produtos, como um controlador que também funcionava como interface de áudio, além de recursos do Pro Tools 12 executados em um MacBook, uma interface Apogee, uma Avid Omni e alguns acessórios.
Avid e o mercado de home studios
Se para alguns participantes a palestra foi muito interessante, para mim ela foi definitiva para aumentar algumas desconfianças e pensamentos que já tinha a respeito da Avid e do mercado em geral.
Uma coisa que ficou bastante clara foi a intenção da Avid de estabelecer uma divisão bem definida entre aquilo que é destinado aos grandes estúdios profissionais e o restante do mercado.
Como assim?
Explico.
O controlador apresentado era o modelo S3, ainda um protótipo na época, com 16 faders motorizados, LEDs para demonstração dos níveis de sinal, diversos botões e teclas com funções programáveis. Além disso, também funcionava como uma interface de áudio de quatro canais, tudo pensado para utilização com o Pro Tools.
Também foram apresentados outros controladores, que poderiam ser consultados nos sites da Avid e da Quanta, mais compactos e com características semelhantes de construção, incluindo LEDs, teclas programáveis e um design moderno e bastante sedutor.
O próprio Pro Tools 12 apresentava novas funções que, para muitos usuários de outras DAWs, não eram exatamente tão novas assim, como a função Freeze e a possibilidade de transmissão de vídeos para produções colaborativas a longa distância pela internet.
Mas o que mais chamou minha atenção foi o fator dinheiro.
É aí que está o grande divisor de águas mencionado anteriormente.
Os custos para adquirir um pacote razoável, incluindo software Pro Tools, interface de áudio e controladores para uma boa produção musical, eram bastante elevados. Além disso, todo esse conjunto exigia outros fatores para ser bem aproveitado, como computadores potentes e uma conexão de internet de alto desempenho.
O conceito Avid Everywhere
O conceito Avid Everywhere não apenas elevou os custos de seus produtos, como também propôs superfícies de controle modulares, que poderiam ser ampliadas ao longo do tempo, além de uma maneira diferente de trabalhar.
Diferente não significa necessariamente melhor.
Não consegui, do alto da minha ignorância, enxergar algo realmente empolgante como talvez algumas pessoas pudessem imaginar. Não vi nada que pudesse melhorar consideravelmente uma música ou facilitar de maneira realmente significativa uma tarefa de produção.
Talvez a interligação via Ethernet fosse um ponto interessante, mas isso também não era exatamente uma novidade.
O que vi foi um design bastante sedutor, a incorporação de algumas marcas de terceiros, que poderia trazer usuários de outras plataformas, algumas estratégias de venda diferentes e outras iniciativas semelhantes.
Até mesmo o Pro Tools First me pareceu uma tentativa de seduzir usuários que ainda não trabalhavam com a DAW.
Não consegui perceber, naquele momento, nenhum movimento da empresa no sentido de oferecer monitores de áudio ou fones de ouvido próprios, por exemplo, ou instrumentos virtuais integrados que pudessem competir com os mais populares do mercado.
Seriam recursos que poderiam somar à sonoridade e estimular a utilização da marca também em ambientes mais modestos de produção, especialmente considerando que a empresa divulgava um conceito de integração abrangente entre produção de áudio e vídeo.
A atualização constante dos equipamentos e softwares
Era isso que eu tinha para escrever a respeito do evento do qual participei.
Deixo claro que entendo a necessidade de as empresas se renovarem e praticamente imporem aos clientes uma constante atualização. Isso, porém, não significa que eu concorde com essa prática.
Muito pelo contrário.
Considero essa estratégia abusiva e acredito que ela pode acabar produzindo equipamentos e softwares descartáveis ou com uma vida útil percebida como muito curta.
A Apple é outra empresa que, na minha visão naquela época, seguia uma lógica semelhante, investindo em design e recursos que acabavam estimulando atualizações frequentes de hardware para acompanhar as novas funcionalidades.
Entretanto, o ganho real proporcionado pelo trabalho e pela utilização desses recursos parecia estar muito aquém do investimento necessário para permanecer constantemente atualizado.
Em tempos de crise econômica e incertezas, a impressão que fica é que as grandes empresas estão trabalhando principalmente para os grandes clientes, que representam uma parcela menor do mercado, enquanto a tão propagada integração pode acabar funcionando também como uma estratégia de marketing.
A parceria com a Apogee e os pontos positivos
É importante ressaltar que fiquei feliz por ter sido convidado para o evento.
Pude rever amigos e me atualizar sobre alguns conceitos. Meu problema está no resultado prático de tudo aquilo que foi apresentado.
Em nenhum momento me senti estimulado a migrar para o Pro Tools ou a tentar adquirir um dos novos equipamentos.
A sensação foi de que as coisas estavam chegando a um limite em que vender algo bonito, aparentemente complexo e alinhado à evolução tecnológica parecia ser tão importante quanto oferecer uma melhoria efetiva no processo de produção.
Isso não significa que não houvesse pontos positivos.
Com certeza, o lado estético era bastante sedutor. A parceria com a Apogee representava um salto de qualidade em relação à época da M-Audio, que havia ajudado a popularizar o Pro Tools entre usuários mais amadores por meio da versão M-Powered.
O Bounce offline, por exemplo, agiliza o processo de finalização das produções, entre outras funções interessantes.
Mas, na minha opinião, nada disso justificava uma constante mutação, acompanhada de inúmeras justificativas e estratégias de marketing que, de certa forma, poderiam acabar colocando em dúvida os próprios lançamentos anteriores.
Acredito que muitos engenheiros de áudio não se importariam em trabalhar com versões mais antigas, incorporando gradualmente as novas tecnologias. Porém, uma empresa precisa justificar sua existência, acompanhar seus concorrentes e manter-se competitiva.
E, nesse caso, o mercado que consegue pagar pelos produtos continuará pagando.
Minha impressão foi de que a Avid havia elitizado demais seu público-alvo e acabado deixando de lado o mercado crescente dos home studios.
Ressalto esse fator justamente porque a proposta apresentada era focada também em pequenos produtores e home studios.
Para esse público, não vi nada realmente acessível.
Avid, home studio e o futuro da produção musical
Vamos ver o que as outras empresas irão inventar para tentar equilibrar esse jogo.
Espero que seja algo simples e inovador, que ninguém tenha pensado antes.
Talvez uma interface de áudio que não permita finalizar a tarefa enquanto a música não estiver boa.
Ou quem sabe um equipamento que interrompa uma gravação de voz quando o cantor estiver desafinado demais.
Talvez até mesmo um sistema que impeça o registro de um baterista que esteja tocando muito fora do tempo.
Isso, com certeza, aumentaria a qualidade das produções! 😄
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