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Falta de valores

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  Pessoas sem valores definidos costumam levar suas vidas semelhantes às folhas soltas ao vento. Podem ter momentos de sorte e outros de azar como qualquer pessoa, mas não tem nenhum controle sobre seus destinos. A questão principal é se elas não possuem valores por negligência do meio (não receberam dos pais ou responsáveis) ou optaram por ignorar certos padrões para se “rebelarem” contra o status quo familiar. Em um segundo momento, já por não trazerem consigo uma base minimamente aceitável, elas acabam por atraírem para si o que as outras pessoas prezam. Isso pode gerar um conflito interno insuportável a longo prazo. Quando falamos de “valores familiares”, estamos nos referindo às características percebidas que passam de pai para filho culturalmente. Hoje, isso nada representa para os mais jovens, porque os valores deles são ditados pelos grupos a que pertencem e aquilo que assistem em seus smartphones. Normalmente, por hábito ou vício de linguagem, nós cometemos o equívoco de ...

O Coringa e sua mensagem oculta

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Estava assistindo ao filme Coringa (2019), dirigido por Todd Phillips — uma tarefa que adiei por seis anos — e cheguei a algumas conclusões um tanto polêmicas. Desde já, adianto que o que mais me chamou atenção no longa não foi seu aspecto artístico. Para uma obra que alcançou tamanho sucesso, elementos como fotografia, roteiro, atuação, ritmo e trilha sonora foram, em minha percepção, tratados com certa negligência. O que realmente merece destaque é o apelo que o filme exerce sobre os jovens e a repercussão que teve entre eles. Inclusive, o próprio algoritmo da plataforma de streaming utilizada para assistir Coringa revelou a mensagem subjacente da obra ao sugerir, como conteúdo relacionado, um documentário sobre Charles Manson. A proposta de um Coringa sem Batman soa como uma espécie de “ode ao vilão”. Se em O Cavaleiro das Trevas o antagonista do Homem-Morcego foi elevado a um patamar artístico brilhante pela interpretação de Heath Ledger — que fez emergir um personagem genial a...

Filosofia, Linguagem e a Alma da Composição

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  Por volta de 2017, iniciei um curso online de filosofia com o intuito de desenvolver habilidades complementares aos meus estudos artísticos. A motivação era clara: enquanto músicos investem tempo e dinheiro em aprimoramento técnico — participando de fóruns, mentorias, aulas e consumindo toneladas de conteúdo especializado — percebi que havia um vazio quando o assunto era conteúdo autoral . Esse investimento técnico resulta, sem dúvida, em versatilidade, precisão e segurança na execução de peças complexas. Muitos desses instrumentistas se tornam virtuoses reconhecidos. No entanto, quando decidem escrever suas próprias músicas, frequentemente expõem uma certa infantilidade conceitual ao abordar temas como ficção científica, esoterismo, espiritualidade, política ou psicologia. O resultado? Obras que, embora tecnicamente impecáveis, soam rasas — servindo mais como portfólio para futuras gigs ou agradando apenas a outros músicos. Os exemplos são abundantes. Admiro profundamente mui...