Simplificando as coisas

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Quando o excesso de equipamentos atrapalha a música

Estou escrevendo esta postagem para falar de um assunto que o pessoal que trabalha com produção musical costuma curtir bastante: equipamentos de áudio e DAWs.

Quem acompanha este blog e meu trabalho como produtor musical sabe da minha satisfação com os produtos da Steinberg/Yamaha, e isso não mudou. Continuo recomendando essas marcas pelo conjunto da obra.

O Cubase, por exemplo, vem totalmente em português, o que facilita bastante o trabalho de quem não domina outro idioma. Além disso, popularizou-se pela facilidade de aquisição de suas diferentes versões. Soma-se a isso a fama dos teclados, periféricos, mixers e monitores da Yamaha, que há anos vêm se consolidando no mercado.

Entretanto, recentemente me desfiz de alguns equipamentos, como meu Cubase 8 Pro, um compressor e um patchbay. Claro que apenas o software era da Steinberg; o compressor e o patchbay eram de outras marcas. Também anunciei para venda minha interface Steinberg UR44, meu mixer Yamaha MG166c e meus controladores Steinberg da linha CMC, entre outras coisas.

Faço isso por necessidade de dinheiro — sempre presente, como acontece com todo brasileiro honesto —, mas também porque são equipamentos atuais e de grande qualidade que estavam ficando parados, sendo utilizados apenas eventualmente, até que eventualmente se danificassem ou se tornassem obsoletos.

A seguir, tentarei explicar o contexto que me levou a tomar essa decisão. Talvez essa experiência seja útil para quem é músico, compositor ou possui um home studio, principalmente para quem está começando a adquirir equipamentos e está perdido sobre o que realmente precisa comprar ou deslumbrado com algumas ideias que podem se mostrar frustrantes no futuro.

Foco e mercado: o excesso começa antes da necessidade

Estou vendendo os equipamentos que citei acima e mais alguns por diversos motivos, alguns deles já mencionados. Mas os mais importantes e pessoais são dois: foco e mercado.

Acho normal que quem está começando a trabalhar com áudio pense além das necessidades reais do momento ao planejar e projetar seu home studio. Mesmo com limitações financeiras, existe sempre a possibilidade de comprar muito menos do que gostaríamos, mas ainda assim muito mais do que realmente precisamos.

Além da ignorância natural de quem está começando, existe também certa arrogância em imaginar que já podemos sair conquistando os clientes dos estúdios próximos, que contam com equipamentos melhores.

Relembro aqui que estamos falando de home studio: aquele espaço adaptado para registrar ideias, estudar, experimentar e produzir música. Não estou falando de um estúdio profissional destinado a gravar diversas bandas e ganhar dinheiro produzindo em grande escala.

O erro mais importante que cometi aconteceu exatamente nesse ponto.

Não que eu imaginasse que iria gravar outras pessoas além de mim e alguns amigos. Porém, negócios de ocasião e curiosidade fizeram com que eu perdesse tempo de aprendizado e dinheiro adquirindo equipamentos que não eram realmente necessários.

Lá atrás, quando comprei minha Zoom G2.1u, que vinha com a versão LE 4 do Cubase, eu poderia simplesmente ter direcionado meus esforços para otimizar as possibilidades que já tinha à mão por aproximadamente R$ 300.

Mas eu pensava em outros recursos, outras possibilidades de produção e outros equipamentos. Aquilo parecia pouco demais para satisfazer meu ego, então inflado por diversas motivações externas.

Na realidade, eu tinha apenas um pedal de guitarra com um bom chip de processamento, capaz de funcionar como uma interface de áudio USB, com loops de bateria e diversas possibilidades sonoras.

A versão do Cubase incluída trazia alguns plugins básicos e possibilidades interessantes de produção. Porém, na minha cabeça, “pegava mal” gravar com meu pedalzinho Zoom e meu computador meia-boca usando Cubase.

Procurando equipamentos melhores

Então comecei a pesquisar e tentei migrar para soluções gratuitas e alternativas, como Ardour e Audacity, mas encontrei ainda mais dificuldades para progredir nas minhas produções.

Comprei um mixer para montar um estúdio destinado a ensaios e fiquei seduzido pela possibilidade de também gravar com ele.

Entretanto, a reunião da minha banda não aconteceu como eu imaginava, e a mesa acabou ficando praticamente sem utilidade.

Eu tinha um mixer de aproximadamente R$ 1.500 e um pedal de R$ 300 para fazer, na prática, muitas das coisas que eu precisava naquele momento.

Também havia adquirido um par de caixas Behringer Truth 2030. Eram monitores ativos com ótima sonoridade, mas um deles acabou queimando depois de seis meses de uso. Paguei aproximadamente R$ 700 em cada unidade e, naquele momento, elas praticamente perderam seu valor comercial.

Acabei transformando-as em caixas passivas devido ao custo de manutenção.

Mesmo assim, eu não me aprofundei nas possibilidades que já tinha. Continuei olhando para aquilo que outros profissionais utilizavam.

Fui na onda dos “entendidos” e passei a considerar que precisava de um Mac rodando Pro Tools e de uma interface com muitos canais.

Rapidamente, eu tinha em mãos um Power Mac G5 usado. Era uma ótima máquina, mas estava se tornando obsoleta diante da velocidade com que a tecnologia avançava.

Também consegui uma M-Audio Profire 2626, com oito canais de entrada e oito saídas. Para completar o conjunto, adquiri uma versão Pro Tools M-Powered 7.

O problema é que os equipamentos foram se sobrepondo, enquanto eu continuava sem conseguir tirar o melhor proveito deles. Minha ansiedade por adquirir novos equipamentos, alimentada pela imaturidade, acabava dificultando ainda mais o processo.

Muito equipamento, pouca música

Podemos somar a esse pacote um contrabaixo, que seria útil, mas que acabei utilizando pouco.

Estudei, estudei e produzi pouco, mesmo tendo vários equipamentos subutilizados.

É claro que gravar minha própria banda continuava sendo o objetivo. Eu ainda tinha minha bateria acústica desmontada em um canto e quase gastei dinheiro comprando um kit de microfones.

Mas a verdade é que possuir tudo aquilo não acrescentou praticamente nada à minha evolução artística. Muito pelo contrário.

Enquanto pesquisava plugins, equipamentos e novas técnicas de gravação, eu não praticava minhas escalas, não resolvia encadeamentos de acordes, não escrevia boas letras, não desenvolvia meus vocais e não registrava minhas composições — pelo menos não na quantidade e na qualidade que gostaria.

Cheguei a comprar uma Fender Telecaster, mas nem ela foi suficiente para me manter focado na música.

Acabei trocando a guitarra por uma interface de 16 canais Tascam US-1800, um Shure SM57 e uma guitarra Washburn X Series.

Afinal, uma Fender não pode ficar encostada em um canto.

A busca pelo equipamento ideal

Aos poucos, vendi a Zoom G2.1u, a Tascam US-1800, a Profire 2626 e alguns microfones e pedais. O restante eu utilizava eventualmente, aqui e ali.

Então comprei o Cubase 7.5 na época de seu lançamento.

Independentemente da interface de áudio que estivesse utilizando, eu queria a versão completa do software com o qual já estava familiarizado.

Troquei o Pro Tools M-Powered por outro compressor, pois o software não atendia às minhas necessidades naquele período.

O Power Mac G5 foi trocado por outro contrabaixo.

Também comprei um MacBook para utilizar com o Cubase, mas precisei vendê-lo para pagar minhas dívidas de final de ano.

Ainda lamento o ocorrido. Gostaria de ter ficado com o MacBook e até mesmo com o Power Mac, mas o primeiro deixou mais saudade.

Achei que um Mac mini poderia ser interessante. Porém, por incrível que pareça, mesmo tendo uma configuração semelhante à do meu PC, o Mac mini mostrou-se bem mais limitado para o meu uso. Acabei me desfazendo dele em outro negócio de ocasião.

Meu último exagero: Steinberg UR44, CMC e Yamaha HS8

Meu último exagero aconteceu quando comprei a interface Steinberg UR44, quatro controladores CMC da mesma marca e um par de monitores Yamaha HS8.

Todos esses equipamentos são de altíssima qualidade, mas ainda assim ficou difícil conciliar tudo com algumas outras necessidades.

Consegui uma sonoridade muito boa utilizando o mixer, a interface e os monitores. O conjunto foi complementado pelo Cubase Pro 8 e pelos controladores.

O problema é que tudo aquilo deixou meu ambiente de trabalho muito mais bagunçado e complexo, limitando minha atividade naquele momento.

Foi então que decidi me desfazer de parte desse conjunto e consegui uma Avid Fast Track Duo com Pro Tools Express por um preço bem abaixo do mercado.

Pode parecer estranho, mas a configuração ficou muito mais simples.

Meu PC fica em um rack comum e a interface permanece ali, ocupando pouco espaço. Os monitores Yamaha ficam sobre os racks onde guardo cabos, pedais e microfones.

Tudo parece mais organizado e funcional.

Simplificar para voltar a produzir

Tudo isso parece loucura, mas é muito comum acontecer.

Essa perda de foco acaba nos tornando improdutivos e fazendo com que ajamos como crianças em uma loja de brinquedos.

Fico feliz por ter podido testar e gravar com diversos equipamentos diferentes, conhecer inúmeras configurações e descobrir novas técnicas. Isso me proporcionou uma bagagem interessante em vários sentidos.

Nada que acrescente conhecimento pode ser considerado desperdício.

Porém, tirando a empolgação causada por cada novidade, percebo que negligenciei minha técnica como músico para passar horas lendo manuais, pesquisando equipamentos e testando esquemas de conexão.

Talvez eu também tenha ido longe demais ao tentar construir e reformar instrumentos e amplificadores.

Sempre tive o básico necessário para fazer aquilo que realmente queria: registrar minhas músicas e desenvolver minhas ideias.

Eu tinha uma guitarra, um computador, uma interface, alguns instrumentos, softwares e conhecimento suficiente para começar.

Mas fiz de tudo.

Pesquisei equipamentos, plugins, interfaces, computadores, monitores, cabos, instrumentos, amplificadores e técnicas de gravação.

E, no meio de tudo isso, esqueci do objetivo principal.

A música.


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