El Diablo
El Diablo
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Uma visão sobre a banda e sua força no cenário underground
No início de dezembro de 2015, estive em Charqueadas para acompanhar o show de três bandas: El Diablo, Sky in Flames e Teaser. Mas quero falar especificamente da primeira, pois acompanhei o início da banda através do baterista C. Quines, que foi meu colega na Xaparraw.
Acredito que a banda tenha ganhado força devido, em parte, ao acidente que sofremos no início de 2013, quando a Xaparraw se deslocava para Santa Catarina para tocar em um festival anual e teve a van jogada para fora da estrada, próximo à cidade de Lages.
O acidente feriu gravemente alguns dos integrantes da Leviathan, e o guitarrista João Paulo Ourique, que na época tocava conosco na Xaparraw, acabou fraturando a clavícula.
Tudo isso fez com que a banda repensasse muitas coisas naquele período, acarretando sua dissolução ainda no primeiro semestre daquele ano.
Após ver a El Diablo ao vivo e escutar algumas músicas de seu CD, que ainda não havia sido lançado, já pude concluir que a banda era bem superior à Xaparraw.
Mesmo tendo feito parte da formação desta última e tocado em alguns shows, vejo que a El Diablo é muito mais consistente e possui uma personalidade mais definida.
A Xaparraw tocou durante cinco anos e, em menos de dois, a El Diablo já havia se mostrado mais produtiva e consistente.
Por que comparar El Diablo e Xaparraw?
Por que comparar as duas bandas?
Simples. Vejo que ambas pertencem a um mesmo ambiente criativo, são contemporâneas e fazem parte de um cenário que pouco mudou nos últimos anos.
Também considero a El Diablo uma continuação do trabalho de C. Quines, baterista que tem minha estima e minha torcida. Ele vem batalhando no cenário underground há vários anos sem receber o devido reconhecimento ou obter qualquer lucro financeiro significativo com isso, como acontece, na verdade, com muitos músicos.
As máscaras e a identidade visual da El Diablo
Assim que a banda iniciou seus trabalhos, alguns conhecidos mencionaram a utilização das máscaras como algo apelativo ou uma possível imitação do Slipknot.
Mas quem sou eu para criticar esse tipo de coisa?
Afinal, já toquei usando Corpse Paint e também tive visual Glam.
Particularmente, achei que as máscaras deram um diferencial à banda e chamaram ainda mais atenção para o som.
Muita gente não entende isso, mas a imagem é fundamental dentro da música, principalmente quando falamos de bandas que buscam construir uma identidade própria.
A El Diablo, com suas máscaras, passa a mensagem de que seus integrantes pertencem ao mesmo bando, à mesma turma. E isso é muito bacana, tendo em vista que hoje cada um parece querer fazer as coisas por si só, enquanto a coletividade de um trabalho muitas vezes se resume a músicos colaborando esporadicamente em algum projeto.
Parece que ter uma banda à moda antiga se tornou uma ideia ultrapassada.
Talvez seja mesmo.
Não tenho uma opinião formada sobre isso.
O mais importante: a música
Por último, vou falar daquilo que considero mais importante: a música.
A música da El Diablo é condizente com o visual da banda e com as letras que pude acompanhar.
Algumas coisas me remeteram ao Napalm Death, com toques de New Metal, e acredito que essa seja uma influência coerente, já que os integrantes admitem influências do Hardcore e do Death Metal.
Ao vivo, a banda soou muito parecida com as gravações, mesmo com as limitações normais dos shows desse tipo.
Musicalmente, a banda já está pronta no que diz respeito ao estilo. Basta fixar uma formação e aperfeiçoá-la dentro da linha pretendida.
Por experiência, posso dizer que dificilmente uma banda que conquista notoriedade em determinado momento mantém exatamente as mesmas características de suas primeiras gravações e apresentações. A tendência natural é lapidar o som ao longo do tempo.
Mas, nessa fase inicial, a El Diablo já se mostra bastante preparada para dar os próximos passos.
El Diablo e os próximos passos
Resumindo: na minha opinião, a banda me pareceu honesta e decidida a pagar para ver no que tudo isso vai dar.
Seus integrantes também demonstram estar conscientes de que precisam produzir bastante nesta fase. Mesmo sem terem lançado o primeiro CD, já pensam em futuras gravações e apresentam músicas mais recentes nos shows.
Isso é fundamental para manter as ideias arejadas, todos empenhados na construção das músicas e evoluindo como grupo.
Dentro de poucos dias, postarei o primeiro episódio da Heavinna TV no meu canal do YouTube, e parte do que escrevi aqui poderá ser vista na matéria que fiz com eles.
Assista ao Episódio 1 da Heavinna TV com a El Diablo.
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