Slash em Porto Alegre
Slash em Porto Alegre/RS
Uma noite de Hard Rock no Pepsi On Stage
Se alguém ligasse o rádio entre 1992 e 1995 e sintonizasse uma emissora voltada ao público jovem, certamente ouviria alguma música do Guns N' Roses.
Simplesmente era impossível ficar à parte daquele fenômeno. A banda liderada por Axl Rose havia tomado conta da mídia, tanto nas rádios quanto na televisão. Os videoclipes eram lançados frequentemente, justamente em um período em que a MTV estava em alta e exercia enorme influência sobre o público.
Desde o lançamento de seu primeiro álbum, em 21 de julho de 1987, o Guns N' Roses já demonstrava estar preparado para se tornar um dos maiores nomes da história do Rock.
Era comum que muitos headbangers da época não gostassem da banda. Afinal, sua exposição era constante e aquilo pouco tinha a ver com o amado underground.
Entre 1987 e 1995, a banda lançou uma sequência de trabalhos que ajudou a consolidar sua posição na história da música.
Depois do álbum de estreia, vieram o EP Live ?!*@ Like a Suicide e o acústico G N' R Lies, lançado como um álbum completo em 1989 e responsável por fazer Patience estourar em praticamente todos os meios de comunicação.
Depois disso, iniciou-se a grande fase de Use Your Illusion I e Use Your Illusion II, dois discos lançados com muita pompa e circunstância, acompanhados por uma gigantesca turnê mundial e enormes shows para sua divulgação.
A avalanche de videoclipes também foi constante, assim como as inevitáveis concessões ao formato radiofônico.
Slash em Porto Alegre e a celebração de uma era
Estou falando sobre o Guns N' Roses porque, na última sexta-feira, 20 de março de 2015, no Pepsi On Stage, em Porto Alegre/RS, presenciei uma verdadeira celebração daquele período durante o show de Slash featuring Myles Kennedy and the Conspirators.
Ou, simplesmente, o show solo de Slash, ex-guitarrista do Guns N' Roses.
Como havia comprado os ingressos antecipadamente, tive tempo de conhecer melhor o trabalho solo do guitarrista, que é muito bom, diga-se de passagem.
Álbuns como Apocalyptic Love e o então mais recente World on Fire apresentavam uma banda excelente.
O grupo contava com o baterista preciso Brent Fitz e o baixista Todd Kerns, que também assume os vocais em determinados momentos e, por suas inúmeras experiências ao lado de Slash, encaixa-se muito bem no estilo de baixo associado a Duff McKagan, antigo companheiro do guitarrista no Guns N' Roses.
Myles Kennedy: a cereja do bolo
O vocalista, entretanto, é um caso à parte e, na minha opinião, representa a verdadeira cereja do bolo do trabalho atual de Slash.
Estou falando de Myles Kennedy, guitarrista e vocalista do Alter Bridge.
Extremamente afinado ao vivo, Myles consegue reproduzir com precisão o trabalho de estúdio e apresenta um desempenho soberbo nas músicas do Guns N' Roses que recheiam o repertório dos shows de Slash.
Sua presença ajudou a transformar o projeto em muito mais do que uma simples carreira solo de um guitarrista famoso.
Um show digno da fama de Slash
Com a casa lotada e um público extremamente receptivo, a banda fez um show digno da fama de seu líder.
O interessante é que, durante 95% do tempo, Slash é simplesmente o guitarrista da banda, exatamente como era no Guns N' Roses e posteriormente no Velvet Revolver.
Seu timbre característico e seu estilo marcante de tocar fazem com que o músico ocupe um lugar especial na história do Hard Rock.
Na minha opinião, seu bom gosto musical e sua identidade como guitarrista fazem dele uma das figuras mais importantes do estilo.
Foram aproximadamente duas horas em que o clássico e o novo se tornaram praticamente atemporais.
Músicas como World on Fire, Anastasia e Bent to Fly podem figurar muito bem ao lado de clássicos como Welcome to the Jungle, Paradise City e Sweet Child O' Mine em uma lista de grandes composições do Hard Rock.
O trabalho atual de Slash também mostra uma banda extremamente competente, capaz de produzir grandes músicas caso permaneça coesa e continue lançando álbuns como vinha fazendo ao longo dos últimos anos.
Setlist do show de Slash em Porto Alegre
O repertório apresentado naquela noite foi:
You're a Lie
Nightrain (Guns N' Roses cover)
Standing in the Sun
Ghost
Back from Cali
Wicked Stone
Too Far Gone
Mr. Brownstone (Guns N' Roses cover, com Gilby Clarke)
You Could Be Mine (Guns N' Roses cover)
Doctor Alibi (Todd Kerns nos vocais)
Welcome to the Jungle (Guns N' Roses cover, com Todd Kerns nos vocais)
The Dissident
Beneath the Savage Sun
Rocket Queen (Guns N' Roses cover)
Bent to Fly
World on Fire
Anastasia
Sweet Child O' Mine (Guns N' Roses cover)
Slither
Paradise City (Guns N' Roses cover)
Uma noite para renovar a alma com Rock and Roll
Quem gosta de Hard Rock ou simplesmente de um bom show de Rock and Roll saiu do local próximo da meia-noite com a alma renovada e com a sensação de que certas coisas continuam muito vivas e ainda podem ser apreciadas ao vivo.
Talvez não tenhamos mais os gigantescos shows em estádios ou a ampla divulgação da mídia como aconteceu durante o auge do Guns N' Roses.
E, mesmo que a banda de Axl Rose continuasse na ativa com a pretensão de representar o Guns N' Roses de outrora, naquela noite havia algo diferente acontecendo.
Tínhamos Slash em grande forma, compondo boas músicas e realizando shows de qualidade.
Para quem gosta de música, especialmente de Hard Rock, basta aproveitar as oportunidades e se fazer presente.
Porque, enquanto ainda existirem músicos capazes de subir ao palco e proporcionar noites como aquela, o Rock and Roll continuará vivo.
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