M-Audio Profire 2626, Pro Tools M-Powered 7,5 e Mac Pro G5
M-Audio Profire 2626, Pro Tools M-Powered 7.5 e Mac Pro G5
Quando fiz meu curso de home studio no IGAP-RS, fui apresentado à interface de áudio M-Audio Profire 2626. A partir daquele momento, fiquei de olho em alguma oferta no mercado que possibilitasse a aquisição desse equipamento.
Não deu outra. Alguns meses depois, estava recebendo em minha casa uma Profire 2626 que havia comprado por uma quantia irrisória através do Mercado Livre.
Infelizmente, o baixo valor pago tinha uma explicação lógica: a porta FireWire estava queimada. Porém, só consegui descobrir isso algumas semanas depois. A princípio, achava que o problema estava na minha placa FireWire VIA, que havia adquirido justamente para utilizar a interface.
Comprei outra placa, dessa vez com chip Texas Instruments, e nada.
Recorri aos fóruns da internet e encontrei muitas pessoas relatando problemas com FireWire em PCs. Porém, tudo o que estava escrito nos fóruns era bobagem — grande novidade! O problema estava na interface, e não no meu PC ou nas placas que havia comprado.
Como a conexão FireWire já estava caindo em desuso, eu não tinha nenhum outro equipamento com essa característica para testar a interface e comprovar se realmente havia algum problema nas placas. Mesmo realizando testes internos por software, não detectei nenhum problema nos meus periféricos.
Naquele mesmo período, tive a oportunidade de adquirir um Mac Pro G5.
Meus problemas estavam resolvidos.
Que nada!
A interface continuava sem apresentar nenhum sinal de funcionamento.
A solução foi mandar o equipamento para a empresa Quanta, que era a distribuidora do Pro Tools na época, para conserto. A facada foi grande, mas, no geral, ainda valeu a pena. A interface retornou funcionando normalmente, tanto no Mac quanto em qualquer uma das placas FireWire instaladas no meu PC.
Para completar o conjunto, adquiri um Pro Tools M-Powered 7.5 para utilizar com o Mac e a Profire 2626, pois esse era o software destinado à produção naquele pacote.
Mac Pro G5: um computador para produção musical
Com o Mac Pro G5 em sua configuração máxima, utilizando o OS X 10.5.8 Leopard, 4 GB de RAM e um processador PowerPC de dois núcleos a 1,4 GHz, um Pro Tools M-Powered 7.5 original com iLok e todo o pacote Production Tools instalado, além da Profire 2626 funcionando sem problemas, eu finalmente tinha meu sistema Pro Tools de entrada pronto para produzir.
Antes disso, ainda precisei instalar uma atualização do Pro Tools para que ele funcionasse corretamente com a Profire 2626.
No geral, levei aproximadamente dois meses para deixar todo o sistema pronto para uso.
Isso fez com que minha empolgação tivesse chegado a praticamente zero.
Depois de todo esse trabalho, finalmente consegui ligar o Mac com todas as suas atualizações e abrir o Pro Tools. Confesso que cheguei a sentir certo gostinho de satisfação.
Mas não durou muito.
Um Mac fantástico, mas para outra época
Realmente era uma máquina fantástica, mas para quem a adquiriu no início dos anos 2000.
Seu OS X 10.5 rodava muito bem naquele robusto corpo de alumínio. Comprei o sistema operacional separadamente do computador, pois precisei substituir o HD, que era lento para trabalhar com áudio e ainda apresentava defeitos.
Confesso que minha falta de familiaridade com os produtos da Apple fez com que eu tivesse algumas dificuldades para deixar tudo funcionando.
Li diversos manuais e tutoriais para conseguir fazer o melhor uso possível do sistema operacional e do hardware.
Embora já estivesse ultrapassado, o Mac demonstrou possuir um excelente sistema de áudio e vídeo integrados. Se fosse para apenas escutar música no iTunes, ali estava uma ferramenta perfeita.
Era simples de usar e muito intuitivo. Meu PowerPC foi uma grande aquisição. Pena que estivesse perdendo rapidamente suas funcionalidades.
Para piorar, a Apple havia passado a utilizar processadores Intel, e o OS X 10.6 já era uma exigência para diversos softwares dedicados ao áudio.
Isso foi bastante frustrante.
Uma coisa irritante para quem acompanha a evolução tecnológica é a chamada obsolescência forçada. Existe uma exigência de mercado que faz com que empresas fabriquem hardwares e softwares projetados para durar, em média, alguns anos.
Nisso, a Apple estava se tornando especialista.
Naquele momento, já era possível perceber a perda de funcionalidades de uma versão para outra dos sistemas operacionais.
Pro Tools M-Powered 7.5: minha experiência
Na chamada "Bíblia do Áudio" está escrito:
"Produzirás música utilizando Pro Tools e Mac."
Em teoria, esse mandamento está correto.
Entretanto, essa regra não se aplicava ao meu caso.
Os instrumentos virtuais e a utilização de MIDI no Pro Tools M-Powered 7.5 já estavam muito atrás quando comparados à sonoridade e aos recursos que eu utilizava no Cubase.
As baterias virtuais eram um problema constante nas minhas produções com Pro Tools.
Havia também a limitação da versão do OS X e da própria DAW para a instalação de outros recursos minimamente aceitáveis. A curva de aprendizado do Pro Tools e sua interação com o sistema da Apple tornaram as atividades com esse novo sistema cansativas e pouco produtivas.
Usando o Cubase AI 5, que havia vindo com minha mesa Yamaha, eu já conseguia melhores resultados em termos de praticidade e até de sonoridade do material produzido.
Além disso, o sistema como um todo se comportava melhor com o Cubase do que com o Pro Tools, que se mostrou um pouco pesado e truculento.
Acredito que, se tivesse utilizado o sistema em um estúdio de ensaios para realizar pré-produções de alguns trabalhos, ele poderia ter sido melhor aproveitado.
Em home studio, entretanto, não se justificou.
Uma coisa de que gostei no Pro Tools foi o compressor que já vinha com ele. O mesmo aconteceu com o equalizador. Eram duas ferramentas fundamentais e que considerei excelentes dentro do pacote do Pro Tools.
Recursos como a calibração inicial dos medidores e a praticidade das ferramentas de edição também ajudavam a justificar a fama de ser uma das DAWs mais utilizadas no mundo.
Claro que não é possível comparar esse sistema M-Powered de entrada com um Pro Tools HD, utilizado em grandes estúdios e que custava uma fortuna.
Por isso, minhas considerações ficam restritas a essa versão.
M-Audio Profire 2626: minha avaliação
Não gostei dessa interface.
O som dos pré-amplificadores me pareceu um pouco estridente, com um brilho exagerado quando comparado ao da Tascam US-1800, que eu tinha na mesma época.
Mesmo no Mac, o driver apresentava certa instabilidade, principalmente ao utilizar os roteadores do painel de controle.
Para a simples reprodução de áudio, o som do Mac parecia mais definido e equilibrado, tornando a audição de música pela placa onboard mais agradável.
Por outro lado, as oito saídas de áudio possibilitavam uma soma analógica interessante na mesa Yamaha que eu possuía.
As entradas de instrumento, que podiam ser selecionadas nos canais 1 e 2, não chegaram a apresentar problemas gerais. Entretanto, era um pouco trabalhoso ajustar os parâmetros para realizar uma gravação sem clipar ou perder o timbre dos instrumentos.
Os pré-amplificadores de microfone acrescentavam um brilho extra, conforme já havia mencionado, e as entradas de linha demonstravam certo ruído quando utilizadas com os pré-amplificadores da mesa ou com um teclado conectado a elas.
Essas são apenas algumas impressões que tive dessa interface.
Talvez o fato de ter desejado muito adquiri-la, ter precisado consertar a porta FireWire, utilizá-la com o Pro Tools, que até então era desconhecido para mim, não gravar baterias acústicas e enfrentar todas as limitações das versões do Mac e do Pro Tools tenham contribuído para uma opinião um pouco decepcionante sobre o equipamento.
Infelizmente, essa foi a impressão que ela me passou.
Tive a oportunidade de comparar a Profire 2626 com a Tascam US-1800, da qual gostei mais, e com a Steinberg UR44, que é a interface com a qual vinha trabalhando naquele momento. A sonoridade dessas duas me agradou mais.
Claro que as oito saídas simultâneas e independentes proporcionavam uma versatilidade interessante, assim como as oito entradas, que podiam ser utilizadas como entradas de microfone XLR, duas entradas de alta impedância mais seis de linha ou ainda oito entradas de linha.
Essas possibilidades, entretanto, foram pouco utilizadas no meu home studio. Por isso, o investimento acabou se tornando injustificável para mim.
Vale a pena comprar uma M-Audio Profire 2626?
Não quero, com essas impressões, desaconselhar a aquisição dessa interface. Muita gente fala bem dela e a recomenda.
Entretanto, é preciso levar em consideração que ela já estava fora de linha havia algum tempo e que o FireWire estava perdendo espaço, inclusive nos próprios produtos da Apple.
Seu driver possivelmente não receberia atualizações para sistemas mais modernos, e talvez as novas versões das DAWs mais utilizadas já fossem incompatíveis.
Tive a oportunidade de colocar as mãos em um cobiçado sistema de gravação que, talvez por causa da época, acabou não acrescentando muito aos meus trabalhos.
Por outro lado, serviu como uma experiência importante dentro do eterno aprendizado que imponho a mim mesmo.
No final das contas, essa experiência também reforçou uma ideia que já vinha percebendo: ter equipamentos cobiçados não significa necessariamente produzir melhor música.
Especificações técnicas da M-Audio Profire 2626
Para quem cogita adquirir uma unidade usada, seguem algumas das principais características técnicas registradas para a interface:
Entradas de linha balanceadas
Resposta de frequência: ±0,1 dB, de 20 Hz a 22 kHz (48 kHz);
Resposta de frequência: ±0,4 dB, de 20 Hz a 80 kHz (192 kHz);
Faixa dinâmica: 110 dB, ponderada;
Relação sinal/ruído: -110 dB, ponderada;
THD + N: 0,0008% (-102 dB), 1 kHz, -1 dBFS.
Entradas de microfone balanceadas
Controles de ganho;
Pad de -20 dB;
Resposta de frequência: ±0,1 dB, de 20 Hz a 22 kHz;
Faixa dinâmica: 109 dB, ponderada;
Relação sinal/ruído: -109 dB, ponderada;
THD + N: 0,0011% (-99 dB), 1 kHz, -1 dBFS;
Crosstalk: < -120 dB, 1 kHz;
Nível máximo de entrada: +6,5 dBu, sem pad;
Impedância de entrada: 3,7 kΩ, balanceada;
Ganho ajustável: >53 dB sem pad;
Pad: 20 dB.
Entradas de instrumento
Resposta de frequência: ±0,1 dB, de 20 Hz a 22 kHz;
Faixa dinâmica: 108 dB, ponderada em A;
Relação sinal/ruído: -108 dB, ponderada;
THD + N: 0,0014% (-97 dB), 1 kHz, -1 dBFS;
Crosstalk: < -110 dB, 1 kHz;
Nível máximo de entrada: 13,7 dBV, típico;
Impedância de entrada: 1 MΩ, não balanceada;
Ganho ajustável: >53 dB sem pad;
Pad: 20 dB.
Saídas de linha balanceadas
Resposta de frequência: ±0,1 dB, de 20 Hz a 22 kHz;
Faixa dinâmica: 110 dB, ponderada em A;
Relação sinal/ruído: -109 dB;
THD + N: 0,0011% (-99 dB), 1 kHz, -1 dBFS;
Crosstalk: < -120 dB, 1 kHz;
Nível máximo de saída: +20,2 dBu;
Impedância de saída: 300 Ω.
Saída de monitoração e fones
Resposta de frequência: ±0,4 dB, de 20 Hz a 22 kHz;
Faixa dinâmica: 110 dB;
Relação sinal/ruído: -110 dB;
THD + ruído: 0,007% (-83 dB), 1 kHz, -1 dBFS;
Nível máximo de saída em 32 Ω: +6,8 dBV;
Potência: 150 mW em 32 Ω;
Impedância de saída: 75 Ω;
Impedância de carga: 24–600 Ω.
Os dados técnicos acima foram preservados do material original, com correções de grafia, unidades e apresentação para facilitar a leitura.
Conclusão
Minha experiência com o conjunto M-Audio Profire 2626 + Pro Tools M-Powered 7.5 + Mac Pro G5 foi, acima de tudo, uma experiência de aprendizado.
Eu havia criado uma expectativa enorme em torno daqueles equipamentos. A Profire 2626 era uma interface desejada por suas múltiplas entradas e saídas, o Pro Tools carregava a fama de ser uma ferramenta profissional e o Mac Pro G5 representava, para mim, a entrada no universo da Apple.
Na prática, porém, o conjunto não se mostrou adequado às minhas necessidades.
O Cubase em um PC acabou oferecendo mais praticidade para a maneira como eu trabalhava, e posteriormente outras interfaces também me agradaram mais em termos de sonoridade.
Isso não significa que os equipamentos fossem ruins. Significa apenas que equipamento, software e computador precisam fazer sentido dentro do fluxo de trabalho de quem produz música.
E essa talvez tenha sido a principal lição que tirei dessa experiência.
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