Monsters of Rock - Porto Alegre/RS
Monsters of Rock – Porto Alegre/RS
Saudações, pessoal! Em primeiro lugar, não quero aqui me mostrar ingrato em relação àqueles que se esforçam para trazer grandes eventos para Porto Alegre/RS, possibilitando que muita gente que curte algumas das bandas lendárias do rock e do metal possa conferir de perto seus ídolos. Foi o caso do Monsters of Rock em Porto Alegre/RS, no dia 30/04/2015. Ozzy Osbourne, Judas Priest e Motörhead tocando juntos no estádio do Zequinha. Perfeito!
Entretanto, ao chegar ao estádio por volta das 18h, sendo que a abertura dos portões estava marcada para as 17h30, deparei-me com uma fila que saía do local onde estava a única entrada para o evento, contornava a lateral do estádio, se estendia por dois quarteirões, dobrava uma esquina, depois outra e mais outra e, após dar uma volta de uns sete quarteirões, voltava ao local de entrada.
Foram aproximadamente três horas de espera até conseguir entrar no estádio. Então, imagine: cheguei às 18h, fiquei até as 21h na fila e o Motörhead iria tocar às 19h30. Conclusão: só pude assistir a Overkill, que foi a última música do Motörhead.
Algumas pessoas comentaram que, durante a apresentação da banda, abriram outra entrada para aqueles que chegavam em cima da hora, o que foi mais um desrespeito para aqueles que pagaram o mesmo valor pelos ingressos e ficaram três horas na fila. Tenho relatos de que só houve lotação total após o término do show do Judas Priest.
Aí eu pergunto: será que a organização do evento não se deu conta de que cerca de 20.000 pessoas tinham comprado ingressos e que apenas uma entrada não seria suficiente para colocar essa quantidade de pessoas dentro do estádio em duas horas?
Na fila, pessoas indignadas. Na entrada, os profissionais que estavam trabalhando demonstravam certo nervosismo. Afinal, muitos fãs de Motörhead tinham perdido todo o show da banda que era favorita deles. Eu já tinha visto o Judas Priest e o Ozzy em anos anteriores e estava curioso para ver a banda de Lemmy, mas isso não foi possível.
Tive a sensação de que havíamos voltado uns 15 anos no tempo, quando ainda éramos extremamente desacostumados com espetáculos dessa grandeza. Ainda não entendo como alguns sites que cobriram o evento não mencionaram nada a respeito disso.
“Será que todas essas pessoas que postaram seus comentários sobre a cobertura do show não têm amigos que ficaram mais de duas horas do lado de fora enquanto as bandas tocavam?”
Essas mesmas pessoas ficaram alheias aos comentários nas redes sociais.
A organização do Monsters of Rock em Porto Alegre
Gostaria de falar sobre os shows em si, como fiz com Slash, Mr. Big e Winger, ambos realizados no Pepsi On Stage, mas não seria justo usar este espaço apenas para elogiar as bandas, sendo que nem assisti à apresentação completa do Motörhead e deixar de lado um fato que considero muito relevante, no qual eu também fui prejudicado.
Claro que não dá para comparar o tamanho dos eventos. Ou dá?
A verdade é que pegou muito mal para a organização do evento todo esse episódio.
Depois de conseguir entrar no estádio, tudo estava resolvido?
Claro que não.
Nem parar para beber uma cerveja e curtir o show do Judas Priest, que estava para começar, seria possível. Explico por quê.
Foram improvisados banheiros na lateral, no lado oposto de onde estava o palco, bem próximos dos locais que estavam vendendo bebidas. Em determinados momentos, quem entrava para usar o banheiro não conseguia sair, e os que estavam tentando entrar acabavam se aliviando pelos cantos mesmo.
O local escolhido para colocar os banheiros químicos acabou se tornando um nojo em pouco tempo. Haverá quem diga que faltou respeito por parte das pessoas ou algo assim, mas a verdade é que foi extremamente desconfortável utilizar a estrutura disponível no local.
E, para encerrar os mimimis, a saída estava tensa, e algumas pessoas passaram mal enquanto se espremiam tentando deixar o local por onde haviam entrado.
Os shows do Monsters of Rock
Não pude ver nem ouvir a banda de abertura. O Motörhead tocou Overkill, como sempre fazia nos últimos 20 anos. Os caras mostraram o mesmo visual clássico da banda, com Lemmy tocando seu baixo como se fosse uma guitarra e Mikkey Dee detonando no bumbo duplo durante toda a música.
O cara parecia ter uma energia eterna, mesmo com quase 40 anos de carreira. Phil Campbell continuava com o visual mais descolado que apresentava havia alguns anos e seguia tocando como sempre.
Talvez o maior trunfo do Motörhead fosse o fato de a banda ser muito fiel ao seu estilo e àquilo que os fãs esperavam dela. Mesmo com toda a polêmica envolvendo a saúde de seu frontman, o Motörhead ainda estava por aí. Pena que, possivelmente, eu não poderia ver a banda ao vivo novamente em um show completo.
Judas Priest
O Judas Priest apresentou seu novo guitarrista. Richie Faulkner é um cara seguro e performático, que trouxe à banda um contraponto de juventude e energia. Isso adicionou algo à sonoridade do grupo que estava ausente nos últimos tempos com K.K. Downing.
Um Judas Priest renovado e apresentando um show perfeito, como sempre.
Se falta juventude e energia a Glenn Tipton e Ian Hill, sobra segurança em Scott Travis, além de talento e carisma em Rob Halford.
O Judas é a síntese do heavy metal em todos os sentidos: velho, poderoso, clássico, espetacular e impressionante.
Tocaram diversos clássicos, exibindo um timbre matador e utilizando os telões de forma muito competente.
Show perfeito.
Ozzy Osbourne
O Madman apresentou um show previsível, embora o fascínio de todos os fãs pela sua figura permaneça — e eu me incluo entre eles. Musicalmente, porém, não vi diferença em relação à performance apresentada no Gigantinho poucos anos antes.
Mais uma vez, No More Tears ficou de fora do show. Estranho isso, pois, para mim, é a melhor composição do Ozzy.
Criticar um cara como Ozzy é uma heresia, mas o show poderia ser melhor, com outras músicas incluídas no repertório. A ausência de Zakk Wylde sempre será lamentada por mim, pois considero o cara um dos mais influentes guitarristas atuais.
Mas Ozzy é uma inspiração, mesmo estando longe de ser o cara que era na época do Black Sabbath e durante sua carreira solo até o álbum Ozzmosis.
Uma noite histórica do rock e do metal em Porto Alegre
Tomara que os problemas de estrutura tenham chegado até a organização do evento, sejam sanados e os dinossauros do rock possam continuar lotando estádios aqui no Sul do Brasil.
Sei que o público merece ter a oportunidade de assistir a grandes espetáculos de rock e metal, já que as bandas médias têm frequentado a região, apresentando seus shows em casas menores.
Deixando de lado todos os percalços, a presença desses três gigantes foi muito bem-vinda.
O Monsters of Rock em Porto Alegre/RS poderia ter sido uma experiência ainda melhor se a estrutura e a organização tivessem acompanhado a grandiosidade das bandas que estavam no palco. Para quem esteve lá, porém, fica o registro de uma noite em que Ozzy Osbourne, Judas Priest e Motörhead dividiram o mesmo evento, algo que, apesar de todos os problemas, certamente merece permanecer na memória dos fãs de rock e heavy metal do Rio Grande do Sul.
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