5 excelentes bandas novas

5 excelentes bandas novas

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É muito bom ainda ser apaixonado por heavy metal depois de mais de vinte anos.

Sabe por quê?

Porque você sabe exatamente o que agrada ou não. As modinhas, as propagandinhas da mídia e o diabo a quatro não conseguem mais te iludir tão facilmente.

Quando se chega a esse estágio de maturidade, você simplesmente coloca o som para rodar e decide se gosta ou não. Não existe mais aquele negócio de ouvir determinada banda escondido porque sua galera acha que é poser ou qualquer outra coisa desse tipo.

Também existe aquele pessoal que curte Led Zeppelin, Black Sabbath, entre outras bandas, e diz que o som realmente bom era o dos anos 1970, como se não existissem músicos tentando fazer música de qualidade nos dias de hoje.

Tudo bem, eu amo essas bandas, mas acho esse tipo de comentário idiota. Simplesmente assim: idiota.

Tudo bem se você não quiser conhecer bandas novas. É uma opção sua.

Eu mesmo tive uma fase em que só escutava death metal, depois só thrash metal e assim por diante. É até legal, porque você consegue se aprofundar bastante em determinado estilo.

Porém, o prazer de ouvir música tende a transcender estilos, épocas e modas.

Por isso escrevo este texto. Quero compartilhar com vocês cinco bandas que você para, ouve e pensa: “Poxa, que baita som!”

E elas fazem parte da mesma ideia que venho desenvolvendo nesta série de textos sobre música: olhar para diferentes períodos e estilos sem transformar o passado em uma espécie de religião. O rock clássico continua sendo importante, mas isso não significa que tudo o que está sendo produzido atualmente seja descartável.

1. Eclipse

A primeira é a Eclipse. É uma banda sueca formada em 1999 por Erik Mårtensson e Magnus Henriksson, vocalista e guitarrista, respectivamente.

Talvez boa parte da notoriedade da banda venha dos projetos em que seus integrantes, principalmente Erik, estiveram envolvidos nos últimos anos, especialmente depois de assinarem com a Frontiers Records.

Em resumo, a banda faz aquele hard rock com pitadas de heavy metal, vocais agudos e potentes e guitarras muito evidentes, com arranjos de muito bom gosto.

Para quem gosta de bandas de hard rock dos anos 1990, o Eclipse é uma ótima pedida.

Chega a lembrar um pouco o estilo de Dio de fazer música, mas com aquela pegada europeia de bandas como Europe e Stratovarius.

O álbum mais recente da banda naquele momento, Armageddonize, foi produzido em três semanas e é muito interessante para quem curte heavy/hard. Os vocais harmoniosos e as guitarras pesadas fazem dele uma boa referência para quem ainda não conhece o trabalho da banda.

É claro que o pessoal mais radical provavelmente não vai curtir.

Mas, para aqueles que procuram bandas novas de hard rock, está aí uma ótima opção.

2. Rival Sons

Rival Sons é uma banda que começou suas atividades em 2009. Original da Califórnia, esse quarteto conseguiu realizar uma tarefa que, ao longo dos anos, tem sido perseguida por diversas bandas: reproduzir determinadas características da sonoridade dos anos 1970 sem simplesmente parecer uma cópia.

Desde seu primeiro álbum, a banda demonstra grande apreço por sonoridades vintage. Isso faz com que sua música tenha uma característica que considero muito interessante: ela consegue soar atual e, ao mesmo tempo, atemporal.

Eu era um incrédulo.

Mas, depois que ouvi os álbuns da banda, simplesmente dei o braço a torcer.

Ouça e tire suas próprias conclusões.

O clima em torno da banda é muito orgânico e visceral. Os timbres dos instrumentos e dos vocais são perfeitos para que aqueles saudosistas dos anos 1970 possam se deliciar.

Uma pena que o pessoal das antigas seja tão bitolado e costume ignorar esse tipo de banda.

Se você gosta de rock clássico, blues rock e hard rock com uma sonoridade mais orgânica, vale a pena conhecer o Rival Sons.

3. Black Country Communion

Black Country Communion é uma banda formada por Glenn Hughes no baixo e vocais, Joe Bonamassa na guitarra e nos vocais, Jason Bonham na bateria e Derek Sherinian nos teclados.

Se você tem o filho de John Bonham na bateria, o vocalista e baixista do Trapeze, que também tocou com Tony Iommi em um dos álbuns do Black Sabbath, gravou Burn com o Deep Purple e é uma figura extremamente respeitada no cenário da música pesada, acrescenta o guitarrista de blues que considero um dos grandes virtuosos de sua geração e ainda coloca o ex-tecladista do Dream Theater para completar o grupo, o que esperar?

Simplesmente uma banda muito eficiente e com ótimas composições.

O Black Country Communion já não estava em atividade naquele momento, mas havia deixado três CDs e um DVD de altíssima qualidade.

A banda fazia um classic rock com pitadas de Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple que poderia facilmente agradar aos aficionados por essas bandas.

Confira o trabalho da banda e se esbalde em uma viagem pelo mundo do rock clássico, pesado e atemporal.

O maior destaque, para mim, é o guitarrista Joe Bonamassa, que conquistou o respeito de ninguém menos que B. B. King quando ainda era muito jovem. Se você procurar no YouTube, pode encontrar momentos em que o jovem simplesmente destrói tudo com uma Les Paul nas mãos.

Por sua vez, Glenn Hughes continua cantando como sempre. Sua voz ainda é a mesma. Se você gosta do estilo do cara, aqui está mais um trabalho brilhante.

Jason Bonham cresceu carregando o estigma de ser filho de John Bonham, mas é um baterista muito preciso e com uma pegada bastante semelhante à do falecido baterista do Led Zeppelin.

E isso é excelente.

4. Blackberry Smoke

Blackberry Smoke é uma banda de southern rock com uma qualidade musical impressionante.

Quando ouvi Holding All the Roses, simplesmente me senti atingido pela influência de Bob Dylan e Lynyrd Skynyrd no som da banda.

Depois de ouvir os outros álbuns e assistir a algumas apresentações da banda em festivais mundo afora, tive certeza de que eles vieram para ficar.

O rock sulista dos Estados Unidos tem no Blackberry Smoke um representante muito interessante, que não deve nada a nenhum outro nome importante do rock mundial da atualidade.

Uma pena que hoje em dia as pessoas estejam tão alienadas.

Sentar para ouvir um álbum do Blackberry Smoke tomando um uísque e fumando um palheiro pode ser uma experiência interessantíssima para os rockeiros old school apaixonados por aquela mistura de elementos acústicos com overdrives das antigas, como nos bons tempos do Creedence.

Falo tudo isso sobre a banda e nem sequer curto muito o estilo que eles tocam.

Talvez justamente por isso eu consiga reconhecer quando uma banda faz um trabalho realmente bom.

5. Slash e sua banda

Outra banda que faz um puta som, algo que pude comprovar ao vivo em 2015, é a banda do Slash.

Por mais que pareça um trabalho solo para quem não teve grande contato com o projeto, o que vi no palco e ouço nos álbuns é uma banda coesa e de muita qualidade.

Slash é o guitarrista competente e carismático que sempre foi no Velvet Revolver, Slash's Snakepit e Guns N' Roses, e isso é uma das coisas mais legais de tudo.

Porém, sua banda está acima da média em termos de qualidade e estética dentro do hard rock.

O vocalista Myles Kennedy é ótimo, embora sua voz possa ficar um pouco enjoativa quando ele canta nos registros mais altos.

Os álbuns Apocalyptic Love e o mais recente, World on Fire, são trabalhos inspiradíssimos.

Naquele momento, havia ainda muitos rumores sobre uma possível reunião do Guns N' Roses. Na minha opinião, porém, não havia como Duff, Slash e Axl fazerem um trabalho melhor do que aquele que Slash estava desenvolvendo com sua própria banda.

Mas, para nossa sorte, os álbuns estavam ali para serem apreciados.

Ouça “Anastasia” e me diga o que achou.


O que significa chamar essas bandas de “novas”?

Por hoje, essas são as dicas que tenho para dar.

Talvez muita gente não se interesse por nenhuma dessas bandas. Afinal, gosto é uma coisa muito particular. Tenho ouvido outros estilos e, naquele momento, esses nomes pareceram realmente novos para mim.

Claro que pode soar estranho falar de Slash e Glenn Hughes como “novos nomes”.

Mas é justamente aí que está a questão.

Não estou falando necessariamente de músicos iniciantes ou de bandas recém-formadas. Estou falando de artistas que, em 2015, estavam produzindo música nova e mantendo viva uma determinada estética do rock, mesmo utilizando todos os recursos tecnológicos disponíveis naquele momento.

É possível ouvir uma banda contemporânea e encontrar nela elementos que remetem ao Led Zeppelin, Black Sabbath, Deep Purple, Lynyrd Skynyrd, Dio ou outras referências importantes sem que isso necessariamente signifique falta de criatividade.

O passado pode servir como referência sem impedir que a música continue avançando.

Espero que isso inspire os jovens a montar bandas com a qualidade que muitas das bandas da velha guarda apresentavam.

É exatamente isso que os nomes citados aqui estão fazendo: lançando novos trabalhos, utilizando os recursos modernos disponíveis, mas mantendo viva a tradição das grandes bandas de rock and roll.

E talvez essa seja justamente a melhor maneira de manter o rock vivo: não ficar preso ao passado, mas aprender com ele e continuar fazendo música.

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