Começando a estudar música
Começando a estudar música
Dicas de quem dedicou mais de 20 anos à arte por pura paixão
Essa postagem é para quem deseja começar a tocar um instrumento, seja como hobby ou com objetivos profissionais. Talvez tivesse mais peso se viesse de um grande nome da música, e não de alguém ainda pouco conhecido como eu. Mesmo assim, acredito que o conteúdo pode valer a pena. O que trago aqui é a experiência de vida de alguém que dedicou mais de duas décadas à música motivado exclusivamente pela paixão.
Desde cedo sempre gostei de música. Como atividade extracurricular, comecei a estudar violão ainda muito jovem. Como todo estudante iniciante, achava que as pessoas capazes de extrair som de um instrumento possuíam algum tipo de dom divino. Com o avanço dos estudos, percebi que a música — assim como qualquer outra matéria — possui uma parte prática e uma parte teórica. Era fundamental absorver a teoria e praticar aquilo que estava estudando, para conseguir ouvir o que lia nas partituras e métodos.
Muitos garotos da minha época, estudantes sazonais de música, praticavam mais do que eu. Outros achavam que bastava fazer barulho. O resultado era notório. Aqueles que acreditavam já saber o suficiente e que não precisavam mais estudar logo se deparavam com problemas de todos os tipos. Existem incontáveis exemplos de autodidatas bem-sucedidos, assim como pessoas que dedicaram a vida inteira à teoria e permaneceram desconhecidas. Há faculdades e escolas de música de renome internacional espalhadas pelo mundo, funcionando há décadas, com professores de altíssimo nível. Depois de mais de 20 anos dedicados à música, confesso que não saberia citar o nome da maioria desses professores — não por falta de informação, mas por simplesmente não ter acompanhado seus trabalhos de perto.
Resumindo: ser um músico estudioso e tecnicamente competente não garante sucesso, dinheiro nem reconhecimento. Quem busca apenas esses resultados tende a se decepcionar. A única forma de nunca se frustrar com a música é se relacionar com ela por paixão genuína, se envolver de verdade, sem tentar dominá-la de forma puramente didática ou utilitária. Conheço muitos músicos que produzem trabalhos excelentes tendo a música apenas como hobby. A maioria das pessoas com quem toquei (e ainda toco) tem profissões tradicionais para se sustentar e dedica-se à música como segunda atividade, por puro prazer. É comum que essas pessoas invistam boa parte do que ganham em equipamentos e instrumentos, motivadas unicamente pela paixão.
Depois dessa introdução, deixo algumas dicas que podem servir tanto para quem está começando quanto para músicos mais experientes e até profissionais.
1. Aprenda a gostar de aprender
Se você realmente é apaixonado por música ou por um estilo específico a ponto de querer tocar um instrumento, prepare-se para estudar a vida inteira. Independentemente do gênero, sempre haverá algo em que você não é tão bom e que precisará ser estudado com dedicação — nem que seja por mero prazer. A humildade de ouvir outros músicos é uma grande vantagem. Mesmo profissionais consagrados precisam constantemente aprender novos repertórios e ampliar horizontes para se manterem vivos no mercado. Quem quer aprender um instrumento precisa desenvolver, antes de tudo, o gosto por aprender.
2. Organize seus estudos (e, se possível, tenha um bom professor)
A qualidade do aprendizado musical depende diretamente da organização. Existe um corpo de conhecimentos técnicos e teóricos fundamentais que precisa ser estruturado para um desenvolvimento natural e permanente. Há conteúdos comuns a todos os instrumentistas (e cantores) e técnicas específicas de cada instrumento. Para quem está começando, ter um bom professor faz muita diferença. Mesmo com a abundância de livros, vídeos e materiais gratuitos na internet, é o professor quem ensina a linguagem correta e a forma mais eficiente de desenvolver as ferramentas necessárias. Sem professor as coisas ficam um pouco mais difíceis, mas nada que não possa ser contornado com boa vontade e persistência — só que o caminho costuma ser mais longo.
Como este texto já está longo e o objetivo do blog não é prender a atenção de ninguém por tempo demais, deixo para uma próxima postagem alguns tópicos fundamentais para quem realmente quer aprender a estudar música. Esses temas podem (e devem) ser aprofundados em outros sites, blogs e livros. Quanto mais informações forem pesquisadas, analisadas e comparadas, melhor — sempre com o cuidado de filtrar o que é realmente consistente, pois existe muita bobagem na internet. Dedique atenção a assuntos básicos, mesmo que pareçam desinteressantes no início: leitura musical, percepção, prática em grupo e, principalmente, o aprendizado de um ou dois instrumentos além do principal. Isso ajuda a compreender melhor o lugar de cada elemento dentro de uma obra.
Espero que cada vez mais pessoas se dediquem a cantar, tocar um instrumento e fazer músicas. Isso só enriquece o cenário musical e permite que a arte continue se perpetuando de geração em geração. O conhecimento está disponível. Basta ter paciência para absorvê-lo e usá-lo de forma adequada. No que precisarem de mim, estou à disposição.
Que nossa próxima revolução seja pela arte. Um país tão diverso étnica e culturalmente como o nosso merece uma efervescência artística de qualidade. Só assim reescreveremos nossa história de forma mais digna e rica.
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