Tempestades
Dando sequência aos lançamentos dos chamados “filhos feios”, chegou o momento de apresentar ao mundo o EP Tempestades (clique aqui para ouvir). Esse trabalho, inicialmente lançado em uma plataforma fechada, recebeu muitas críticas negativas. A mais significativa veio de um membro da comunidade que considerou as temáticas das faixas Bilhete de Suicídio e Morrer extremamente pesadas. Naquele período, o público conhecia apenas versões alternativas: Antidote para Bilhete de Suicídio e When You Crossed My Way para Morrer. Embora fossem composições de momentos distintos, ao reunir músicas em um mesmo trabalho é necessário que exista afinidade — seja temática, estética ou contextual — e, no caso de Tempestades, esse fio condutor está presente.
A faixa Nicho do Mal retrata um cenário caótico, com monstros nas ruas, crimes, mortes e um clima apocalíptico típico do heavy metal. Sua origem remete à versão Madness of the Streets, da banda Waiftown. Já Vingança, também extraída do repertório daquela banda, aborda traição e retaliação, reforçando a atmosfera sombria do EP. A faixa Morrer é uma adaptação de When You Crossed My Way, trazendo uma narrativa trágica, mas infelizmente comum em periferias ao redor do mundo.
A faixa-título, Tempestades, contrasta com as anteriores por carregar um tom mais otimista, ainda que mantenha a temática de tragédia e resiliência. É importante destacar que essa composição foi escrita originalmente para a banda Shekinnah por volta de 2001, portanto não guarda relação com as enchentes de 2024. Entre todas as músicas do EP, apenas Vingança é mais antiga, embora sua letra atual seja bastante diferente da versão original também destinada à Shekinnah.
O trabalho se completa com Bilhete de Suicídio, já mencionada anteriormente, e Deus da Guerra. Esta última não é exatamente inédita, pois já havia aparecido em demos anteriores: Broken, sob o título Children of the New World, e Fragmentos, como Senhor da Guerra. Para encerrar, o EP apresenta uma versão alternativa de Nicho do Mal, intitulada Loucuras das Ruas, que corresponde à tradução da letra de Madness of the Streets.
É compreensível que essas faixas não tenham gerado grande comoção ou repercussão. A produção foi propositalmente precária e desleixada, sem a intenção inicial de lançamento público. Elas só vieram a público em uma plataforma fechada voltada para músicos amadores, que buscavam inovação, ousadia e independência criativa. Ainda assim, o projeto, que se estendeu por quase quarenta meses, proporcionou aos envolvidos uma valiosa experiência: aprender a compor, gravar e, sobretudo, perder a inibição de se expressar com os recursos disponíveis.
Ouça o EP Tempestades clicando no link a seguir: https://onerpm.link/788232209254
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