5 álbuns indispensáveis do thrash metal
5 álbuns indispensáveis do thrash metal
Seguindo com a série de cinco álbuns indispensáveis que iniciei na postagem anterior, vou indicar cinco trabalhos de thrash metal que considero fundamentais para quem deseja conhecer o estilo e que fizeram parte da minha vida e da minha formação musical.
O thrash metal possui diferentes vertentes e características. Uma delas é mais acessível ao público que já curte heavy metal e, por que não dizer, ao roqueiro em geral. É aquela representada por bandas norte-americanas como Metallica, Megadeth, Anthrax, Slayer e Testament.
Há também os gigantes do thrash metal alemão, como Kreator, Destruction e Sodom, que apresentam uma abordagem diferente daquela desenvolvida pelas bandas norte-americanas e, em muitos momentos, uma sonoridade mais extrema.
Seja norte-americano ou europeu, o thrash metal revelou grandes nomes do metal a partir dos anos 1980. O estilo também serviu de base para o desenvolvimento de outros segmentos, especialmente o death metal, além de ter influenciado diversas bandas que posteriormente seriam associadas ao nu metal.
Na América do Sul, o grande nome do estilo é o Sepultura, que alcançou reconhecimento mundial.
Pelos poucos argumentos citados acima, já fica injusto escolher apenas cinco álbuns em detrimento de tantos outros. Por esse motivo, vou elencar os trabalhos de que mais gosto, que de certa forma marcaram época e que estiveram muito presentes na minha história.
1. Metallica – Ride the Lightning (1984)
Este álbum foi gravado na Europa, no Sweet Silence Studios, em Copenhague, Dinamarca, entre 20 de fevereiro e 14 de março de 1984, e lançado em 27 de julho de 1984. A produção é creditada ao Metallica, com Flemming Rasmussen como engenheiro e participação na produção, além de Mark Whitaker como assistente.
Na época, o Metallica havia ganhado grande notoriedade entre os metalheads por suas aparições em coletâneas, demo tapes e, principalmente, pelo excelente álbum de estreia, Kill 'Em All.
Ride the Lightning é, para mim, o melhor disco do Metallica.
Ele consegue, em apenas quatro músicas, percorrer uma enorme variedade de possibilidades do thrash metal. Começa com o thrash agressivo e veloz de “Fight Fire with Fire”, que facilmente poderia estar em Kill 'Em All, passa pela intensa faixa-título, apresenta a clássica e cadenciada “For Whom the Bell Tolls” e aterrissa na bela “Fade to Black”.
Se pensarmos nos LPs ou nas fitas cassete, apenas o lado A já apresenta praticamente uma receita dos limites que o thrash metal poderia alcançar naquele momento.
Ali estão muitos dos elementos fundamentais que seriam utilizados pelo estilo nos anos seguintes: velocidade, riffs agressivos, mudanças de andamento, peso, solos e, ao mesmo tempo, espaço para composições mais elaboradas.
O disco ainda reserva “Creeping Death”, constantemente presente no repertório ao vivo do Metallica e considerada por muitos fãs um verdadeiro hino da banda e do próprio thrash metal.
A formação que gravou o álbum era composta por James Hetfield (vocais e guitarra), Kirk Hammett (guitarra), Cliff Burton (baixo) e Lars Ulrich (bateria). O álbum também traz créditos de composição para Dave Mustaine em “Ride the Lightning” e “The Call of Ktulu”.
Ride the Lightning é um dos álbuns mais importantes da história do metal — e tudo isso aconteceu no segundo lançamento do Metallica.
2. Kreator – Endless Pain (1985)
O Kreator é uma daquelas bandas que, desde o início — quando ainda utilizava o nome Tormentor — já demonstrava, em suas primeiras demos, qual seria o direcionamento musical que o trio liderado por Mille Petrozza tomaria em sua carreira.
Se o thrash metal precisa ser pesado, rápido e agressivo, esses três adjetivos descrevem muito bem músicas como “Total Death”, “Tormentor” e “Flag of Hate”.
Endless Pain é o álbum de estreia do Kreator e foi lançado em 1º de outubro de 1985, pela Noise Records. O disco foi gravado em março de 1985, no Caet Studio, em Berlim, com produção de Harris Johns.
A formação era composta por Mille Petrozza (guitarra e vocais), Rob Fioretti (baixo) e Jürgen “Ventor” Reil (bateria e vocais).
Uma característica bastante interessante deste primeiro álbum é justamente a divisão dos vocais. Ventor canta as faixas ímpares, enquanto Mille Petrozza assume as pares, algo que ajuda a conferir ao disco uma identidade bastante particular.
A sonoridade ainda é crua e pouco polida quando comparada a produções posteriores da banda. Talvez Endless Pain não tenha sido tão bem produzido quanto alguns dos álbuns de thrash metal lançados na mesma época, mas isso também faz parte de seu charme.
O que existe aqui é velocidade, agressividade e uma energia quase primitiva, características que seriam refinadas no álbum seguinte, Pleasure to Kill.
Sem dúvida, Endless Pain é um dos alicerces do thrash metal alemão e um documento fundamental para entender a chamada cena Teutonic thrash.
3. Slayer – Reign in Blood (1986)
Rápido, agressivo, intenso e satânico.
Reign in Blood, do Slayer, é uma das grandes obras-primas do thrash metal.
Lançado em 7 de outubro de 1986, o terceiro álbum de estúdio do Slayer foi gravado entre janeiro e março de 1986, no Hit City West, em Los Angeles, e produzido por Rick Rubin e pelo próprio Slayer.
A formação era composta por Tom Araya (vocais e baixo), Kerry King (guitarra), Jeff Hanneman (guitarra) e Dave Lombardo (bateria).
O disco tem apenas cerca de 29 minutos de duração, mas isso é mais do que suficiente para estabelecer uma das experiências mais intensas da história do metal.
Poucas bandas conseguiram construir uma identidade tão forte dentro de um estilo e mantê-la durante décadas. Se o Slayer alcançou reconhecimento e popularidade dentro do heavy metal, muito disso se deve a músicas como “Angel of Death”, “Necrophobic”, “Jesus Saves” e “Raining Blood”.
O álbum é extremamente homogêneo em sua sonoridade e em sua linha de composição. Não existem grandes momentos de descanso: uma música praticamente atropela a outra.
E talvez esteja justamente aí uma das grandes virtudes de Reign in Blood.
O disco não tenta ser maior do que precisa. Ele simplesmente apresenta velocidade, agressividade, riffs, solos, vocais extremos e uma bateria devastadora, estabelecendo um padrão que influenciaria inúmeras bandas de metal extremo nas décadas seguintes.
O resultado são menos de 30 minutos que ajudaram a definir o que muitos fãs entendem como thrash metal em sua forma mais extrema. O próprio site oficial do Slayer continua apresentando o álbum como uma obra de enorme impacto e o mantém em destaque na discografia da banda.
4. Pantera – Vulgar Display of Power (1992)
Este é o álbum mais importante da minha vida.
Já escrevi em uma postagem anterior que o Pantera foi a banda que salvou o metal. Muita gente discordou, seja por não gostar da postura da banda, seja por considerar que outros artistas do mesmo período foram negligenciados. Sempre haverá esse tipo de discussão.
O fato é que, no início dos anos 1990, o thrash metal havia perdido parte do espaço que conquistara durante a década anterior. O surgimento do grunge, a mudança de direção de grandes bandas de metal e o enfraquecimento do glam metal alteraram completamente o cenário.
Metallica, Megadeth e Testament, por exemplo, passaram a experimentar sonoridades mais acessíveis, enquanto muitas bandas tradicionais procuravam encontrar um novo caminho.
Foi nesse cenário que o Pantera apareceu com uma proposta extremamente pesada e diferente.
Aqui existe uma observação importante: Vulgar Display of Power é geralmente classificado como groove metal, e não como thrash metal propriamente dito. Ainda assim, sua ligação com o thrash dos anos 1980 e sua importância para a transformação do metal no início dos anos 1990 justificam sua presença nesta lista.
O álbum foi lançado em 25 de fevereiro de 1992, pela Atco Records. Foi gravado e mixado no Pantego Sound Studio, em Pantego, Texas, em 1991. A produção, engenharia e mixagem ficaram a cargo de Terry Date e Vinnie Paul, com o próprio Pantera como coprodutor.
A formação era composta por Phil Anselmo (vocais), Dimebag Darrell (guitarra), Rex Brown (baixo) e Vinnie Paul (bateria).
O Pantera acabou criando um híbrido entre a agressividade do metal dos anos 1980 e a atmosfera mais pesada e alternativa do início dos anos 1990. A banda não apresentava o visual glam de muitas bandas anteriores, nem dependia dos tradicionais adereços associados ao thrash metal da época.
Vulgar Display of Power foi fundamental porque mostrou ao mundo que uma cozinha extremamente coesa e uma guitarra disparando riffs violentos e criativos poderiam dar ao metal uma nova imagem e uma nova sonoridade.
Ouça “Mouth for War”, “A New Level” e “This Love” se ainda não conhece a banda.
Mas, se quiser mergulhar realmente no estilo inovador dos caras, preste atenção em “Regular People (Conceit)”, com sua levada original e marcante, “No Good (Attack the Radical)” e a desesperada “Live in a Hole”.
Esse disco não apenas manteve o metal vivo em um momento de transformação: ele ajudou a abrir caminho para uma nova geração de bandas pesadas.
5. Sepultura – Chaos A.D. (1993)
Se o Pantera revolucionou o metal de alguma forma e ajudou a manter o estilo relevante no início dos anos 1990, o Sepultura definiu um formato moderno e ditou tendências.
Oriundo de um thrash metal agressivo e inspirado pelas bandas do início dos anos 1980, o Sepultura foi moldando seu som ao longo dos anos.
A banda começou com um death metal bastante direto em Bestial Devastation e Morbid Visions, aproximou-se do thrash em Schizophrenia, desenvolveu ainda mais essa linguagem em Beneath the Remains e Arise e alcançou um novo estágio de popularidade e reconhecimento com Chaos A.D.
O álbum foi lançado em 2 de setembro de 1993 na Europa e gravado no Rockfield Studios, no País de Gales, com “Kaiowas” registrada no Castelo de Chepstow. A mixagem aconteceu no The Wool Hall, em Bath, Inglaterra, e a produção ficou a cargo de Andy Wallace, com o Sepultura como coprodutor.
A formação era composta por Max Cavalera (vocais e guitarra), Andreas Kisser (guitarra), Paulo Jr. (baixo) e Igor Cavalera (bateria e percussão). O disco ainda conta com Jello Biafra, do Dead Kennedys, nos vocais de “Biotech Is Godzilla”.
Lembro de muita gente torcer o nariz porque a banda estava flertando cada vez mais com elementos industriais e com o punk rock.
Mas foram justamente esses elementos que agregaram à música do Sepultura características necessárias para mais uma transformação.
Assim como acontece com Vulgar Display of Power, é importante dizer que Chaos A.D. costuma ser classificado como groove metal, marcando um afastamento do thrash mais tradicional. A própria Rhino descreve o álbum como uma obra que levou o Sepultura para uma sonoridade mais baseada em groove.
Mesmo não gostando de nu metal, acredito que, se posteriormente bandas como Slipknot, Mudvayne e Coal Chamber alcançaram enorme popularidade dentro do metal, isso também passou pelo caminho aberto por bandas como o Sepultura.
Chaos A.D. mostra isso claramente.
“Refuse/Resist”, “Territory” e “Slave New World” apresentam uma banda muito mais cadenciada e pesada do que aquela que havia gravado Arise. Ao mesmo tempo, músicas como “Kaiowas” demonstram que o grupo estava disposto a experimentar novas possibilidades.
Para muitos fãs, Beneath the Remains talvez seja o melhor álbum do Sepultura. Roots é certamente o mais conhecido pelo grande público. Mas, para mim, Chaos A.D. é um marco na história da transformação do thrash metal — e é brasileiro.
Cinco discos, muitas possibilidades
Com certeza existem bandas que possuem legiões de fãs pelo mundo e que ficaram de fora desta lista.
Também existem grandes álbuns de nomes como Metal Church, Destruction, Sodom, Coroner, Overkill, Nuclear Assault, Exodus, Annihilator e Dark Angel.
Mas a ideia era elencar apenas cinco.
Todas essas bandas terão espaço justo ao longo das minhas postagens. Por enquanto, ficam apenas citadas, para que não haja a desconfiança de que são desconhecidas ou irrelevantes para este que vos escreve.
O mais interessante quando se fala em thrash metal é justamente perceber que o estilo nunca foi uma coisa completamente uniforme.
De um lado, temos a velocidade e a sofisticação do Metallica; de outro, a brutalidade do Kreator e do Slayer. Depois, no início dos anos 1990, aparecem bandas como Pantera e Sepultura ampliando os limites daquilo que poderia ser considerado metal pesado.
Por isso, estes cinco discos não representam necessariamente "os cinco melhores álbuns de thrash metal". Representam cinco momentos que considero fundamentais para compreender a evolução do estilo e, principalmente, cinco trabalhos que fizeram parte da minha própria formação musical.
E talvez seja justamente essa a melhor maneira de montar uma lista desse tipo: não apenas escolher os discos mais famosos, mas aqueles que realmente significaram alguma coisa para quem os ouviu.
Dados técnicos dos cinco álbuns
| Álbum | Lançamento | Gravação | Produção | Formação principal |
|---|---|---|---|---|
| Metallica – Ride the Lightning | 27/07/1984 | Sweet Silence Studios, Copenhague, Dinamarca | Metallica / Flemming Rasmussen | James Hetfield, Kirk Hammett, Cliff Burton, Lars Ulrich |
| Kreator – Endless Pain | 01/10/1985 | Caet Studio, Berlim, Alemanha | Harris Johns | Mille Petrozza, Rob Fioretti, Jürgen Reil |
| Slayer – Reign in Blood | 07/10/1986 | Hit City West, Los Angeles, EUA | Rick Rubin / Slayer | Tom Araya, Kerry King, Jeff Hanneman, Dave Lombardo |
| Pantera – Vulgar Display of Power | 25/02/1992 | Pantego Sound Studio, Texas, EUA | Terry Date / Vinnie Paul / Pantera | Phil Anselmo, Dimebag Darrell, Rex Brown, Vinnie Paul |
| Sepultura – Chaos A.D. | 02/09/1993* | Rockfield Studios, País de Gales | Andy Wallace / Sepultura | Max Cavalera, Andreas Kisser, Paulo Jr., Igor Cavalera |
* Data do lançamento europeu de Chaos A.D.; a edição norte-americana saiu posteriormente.
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