Progredir ofende

 

É evidente que todo esforço empreendido em um projeto — seja um relacionamento, uma carreira, uma nova habilidade ou qualquer movimento que represente uma mudança significativa — terá aspectos positivos e negativos. O principal aspecto negativo é a possibilidade real de que tal ação não traga resultados imediatos, atraia mais críticas do que apoio ou, até mesmo, pareça tardia quando finalmente começar a dar retorno.

O fato é que o “universo” conspira a favor toda vez que você decide sair da inércia. Porém, para que seus projetos se materializem, pode ser necessário deixar algumas pessoas pelo caminho e fazer sacrifícios inesperados. Mudanças não seguem uma ordem definida: às vezes, quem precisou ser afastado representava um grande empecilho; outras vezes, o sacrifício exigido é simplesmente o preço a pagar para alcançar o que se deseja.

O que gera essa força aparentemente contrária é, muitas vezes, a reação do meio em que se está inserido. As pessoas próximas não necessariamente querem o seu mal, mas não suportam a ideia de vê-lo melhor do que elas em qualquer aspecto. Assim, quando você apresenta uma iniciativa que pode representar evolução, é natural que surjam críticas, desdém, dúvidas sobre a validade do projeto ou até oposição aberta.

Como trabalho com música, é comum ouvir comentários questionando o valor de eu querer ingressar em um curso superior na área. Para alguns colegas do meu emprego atual como assistente de logística, parece absurdo investir tempo e dinheiro em música. Entretanto, basta olhar a lista das maiores fortunas do mundo: nela encontramos músicos, mas dificilmente vemos assistentes de logística, conferentes ou operadores de empilhadeira.

Essas pessoas não têm culpa de pensar assim. Para elas, trabalhar significa dor, esforço, humilhação e desvalorização. Já a música é vista como relaxamento, hobby, diversão, passatempo — mas não como uma “profissão de verdade”. Você pode citar milhares de músicos com carreiras bem-sucedidas, fazendo o que amam e gerando riqueza, mas eles serão considerados exceção. No entanto, ser um profissional de destaque e bem remunerado não é exceção frente à realidade de 95% das pessoas, independentemente da profissão.

Confesso que por muito tempo pensei dessa forma, não por escolha, mas por ouvir críticas recorrentes sempre que estudava música, comprava um instrumento, um acessório, uma revista de cifras ou saía para ensaiar e gravar. Mesmo aqueles que me amavam e demonstravam afeto, quando o assunto era profissão, queriam que eu seguisse o caminho tradicional: estudar, passar em concurso público e trabalhar em uma atividade leve e bem remunerada. Antes dos 30 anos, assumi um cargo com essas características. Porém, após uma década e meia em um escritório com ar-condicionado, bom salário e rotina estável, entrei em depressão e precisei sair de lá.

Em resumo, a ambição de qualquer indivíduo deveria ser buscar a máxima remuneração fazendo aquilo que realmente gosta, independentemente do que seja. Essa postura incomoda quem vive de acordo com o status quo imposto por familiares e pela sociedade. Portanto, sempre que demonstrar interesse em progredir e seguir seu propósito, esteja preparado para enfrentar críticas, desconfiança e, talvez, uma longa espera até colher os frutos.

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