Formar uma banda

 

Nesta postagem, quero abordar um tema que considero muito interessante — ao menos para mim: montar uma banda. Não pretendo dar dicas, pelo menos não como objetivo principal. Quero apenas compartilhar como as coisas costumam acontecer, especialmente a partir da minha vivência.

Acho que, para muitos, o processo começa da mesma forma: empolgação adolescente, sonhos de grandeza, vontade de fazer barulho. No meu caso específico, eu já tinha algum conhecimento musical — havia estudado violão clássico e popular. Mas a ideia de tocar violão já não me seduzia. Eu buscava algo mais verdadeiro, mais próximo daquilo que ouvia na época.

Comecei tocando guitarra em bandas punk e alternativas, depois migrei para o baixo em grupos de death e black metal. Com o tempo, passei a compor minhas próprias músicas e a experimentar diversos instrumentos.

No geral, o que mais me empolgava era tocar ao vivo. Estar no palco é sempre especial, mesmo que a plateia seja pequena. É o momento em que nos sentimos mais conectados com nós mesmos — mas também pode ser o instante em que tudo desmorona. O fato é que as coisas raramente saem como planejamos. Não digo que isso seja ruim, mas é sempre uma surpresa subir num palco diferente com uma banda e fazer uma apresentação.

Quando somos jovens, não nos preocupamos com aspectos técnicos como a qualidade do som, a preparação antes de tocar, ou como cativar o público. São detalhes que só percebemos no último momento — e isso já basta para impedir que nossas primeiras performances sejam memoráveis.

Voltando à ideia inicial: existe uma idade certa para montar uma banda? Não. Basta querer e encontrar parceiros dispostos. Há músicos consagrados — e até anônimos — que formam bandas aos 40, 50 ou 60 anos. Mas é importante ter algumas coisas claras antes de sair comprando equipamentos e fazendo barulho.

A primeira pergunta a se fazer é: que tipo de banda quero formar? Covers ou músicas autorais? Se a ideia for criar músicas próprias, é preciso encarar uma realidade comum a milhares de bandas: temos vontade, mas não temos público, nem equipamentos, e às vezes nem banda formada. Só queremos subir no palco, “arrasar”, conquistar a mulherada e, na semana seguinte, ter milhares de pessoas comprando nosso CD.

Triste ilusão. Garanto que com ninguém foi assim. Para sobreviver numa banda, é preciso ralar muito antes de dar passos firmes no mercado musical. É necessário abandonar a ideia de que somos os melhores do mundo só porque sabemos tocar ou cantar. E, sejamos honestos: nossas canções não são tão épicas quanto imaginamos.

Mas se estamos dispostos a seguir em frente, podemos nos organizar, evoluir etapa por etapa e ver no que vai dar. Formar uma banda e viver disso é um sonho — e muitos conseguiram. É possível e vale a pena tentar.

Planejar cada passo com cautela, manter-se informado sobre o que está acontecendo, conhecer donos de bares, outras bandas, músicos, e principalmente estudar bastante e dedicar o tempo certo para essa tarefa. Nunca esquecendo que, entre os grandes milionários do planeta, há muitos músicos. Ou seja, música pode dar dinheiro, sim.

Se você quiser seguir essa carreira, enfrentará enormes dificuldades — mas também se divertirá muito.

Eu não fiquei famoso, nem rico, nem melhor do que ninguém por ter entrado numa banda há vinte anos. Mas conheci muita gente legal, vivi momentos especiais e encontrei um lugar onde me encaixo neste mundo.

Não sei se um dia conseguirei viver de música sem fazer concessões, mas posso garantir: ainda vai demorar muito para eu desistir de fazer minha música e compartilhá-la por aí.


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