A ferramenta ideal

 

Na postagem anterior falei sobre montar uma banda. Agora quero abordar algo mais específico dentro desse processo: a escolha do instrumento.

Antes de tudo, é importante decidir o estilo musical que queremos tocar — só então escolher o instrumento que melhor se encaixa nessa proposta. Existem músicos que dominam vários instrumentos e transitam por diversos estilos. Mas, para quem está começando, o ideal é escolher aquilo que mais dá prazer de ouvir.

Já ouvi teorias que defendem começar pelo violão, teclado ou até pelo canto. Eu, particularmente, acredito que a pessoa deve seguir o coração. Se ama guitarra, então pegue uma guitarra e comece a “fritar” do jeito que conseguir. Se essa é a paixão, com o tempo virão os estudos, o conhecimento e a experiência.

E qual seria a ferramenta ideal? No meu caso, é a guitarra. Sempre busquei o timbre e os arranjos desse instrumento nos álbuns que ouvia — por isso gosto tanto de heavy metal, um estilo que geralmente prioriza a guitarra.

No início, toquei com instrumentos emprestados. Meus estudos começaram no violão, e eu não tinha dinheiro para comprar uma guitarra. O primeiro instrumento que adquiri foi uma Flying V usada, feita por luthiers. Era péssima em todos os aspectos, mas paguei uma mixaria por ela.

Depois comprei uma guitarra híbrida: corpo Yamaha, captadores Ibanez e braço feito por luthier no estilo Steve Vai. Foi com esse modelo que me senti mais à vontade, embora ainda faltasse uma ponte flutuante com micro afinação e trava.

Seduzido pelos timbres de Dimebag Darrell e Nuno Bettencourt, comprei uma Washburn N1 verde abacate. Essa guitarra me deu bastante alegria — inclusive cheguei a gravar com ela. Mais tarde, adquiri uma Ibanez com micro afinação. Não paguei muito, mas fiquei muito satisfeito com o resultado.

Recentemente comprei uma Fender Telecaster. Embora seja uma guitarra excelente, não me adaptei ao seu formato mais rústico. O som é ótimo para rock’n’roll e blues, e até surpreende com distorção. Mas o ruído da captação somado aos efeitos mostra que ela não nasceu para o heavy metal. O que mais me fez desistir, no entanto, foi a ausência da ponte flutuante. Na primeira oportunidade, passei ela adiante.

Ainda assim, vale ressaltar: é uma guitarra espetacular em todos os detalhes. Os captadores têm aquele som que ouvimos nos CDs, o acabamento e a madeira são de altíssima qualidade. Uma Fender vale cada centavo investido — mas, para o meu som, não funcionou.

Hoje tenho três guitarras. Uma Ibanez Gio, na qual instalei uma ponte Floyd Rose, e uma Washburn X Series, também com Floyd Rose. As duas têm sonoridade parecida e são muito confortáveis para executar as técnicas que utilizo. Não cheguei a compará-las a fundo, mas estou satisfeito com ambas.

A terceira é minha guitarra híbrida, que mencionei antes. Está lá, aguardando reforma.

Ainda quero construir um modelo exclusivo, e meu amigo e luthier Evandro Rosa seria o parceiro ideal nessa empreitada. Por ora, essas guitarras têm se mostrado adequadas ao uso que faço. São modelos acessíveis que, com alguns ajustes, se tornaram muito valiosos para mim — e estou satisfeito.

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