Muito prazer, mundo digital


Eu me sinto privilegiado por várias coisas. A mais importante delas é minha paixão por música. Não existe nada que me dê mais prazer do que mexer com algo relacionado a ela. Foram horas e mais horas lendo biografias, matérias de revistas, tablaturas e partituras, assistindo VHSs, depois DVDs — e, claro, escutando muita música.

Gravei em fitas ADAT nos anos 90, acompanhei os primeiros anos do Pro Tools e, de algum tempo pra cá, tenho feito minhas próprias gravações em meu home estúdio — mais em nível didático. Também tenho estudado e mexido em alguns equipamentos, chegando até a construir protótipos para entender seu funcionamento.

Esse parágrafo introdutório serve para retomar o assunto da postagem anterior e seguir falando sobre algumas preferências e costumes meus, ilustrando com experiências pessoais. Falei das guitarras que já tive e dos instrumentos que possuo hoje. Neste texto, quero falar dos primeiros registros caseiros que fiz e das ferramentas que tive à disposição antes de montar meu home estúdio.

Tinha um PC e acesso à internet. Comprei minha Ibanez e um multiefeitos da Zoom (G1 NK – Kiko Loureiro) pela praticidade e pelo custo acessível. Havia ficado alguns anos sem tocar, depois que a Heavinna deu uma parada. Comecei a ler sobre gravação no computador e baixei o Audacity.

Tive problemas com latência, impedância, ruídos — mas consegui gravar algumas coisas após horas lendo tutoriais e manuais. Basicamente, eu escrevia as partituras da bateria e do baixo, tocava via MIDI e depois gravava a guitarra por cima. Cheguei a gravar vídeos com uma câmera fotográfica, enquanto o PC tocava os samplers e eu adicionava a guitarra em tempo real.

Claro que o resultado não era nenhuma maravilha, mas ficou melhor do que muitas gravações em que participei em estúdios da grande Porto Alegre.

Gravei em multicanal usando um microfone da Sony junto com o programa Acid Studio, cedido por um amigo que trabalhava com vídeo. Consegui fazer algumas coisas como reduzir ruídos, mexer no panorama, equilibrar volumes, aplicar fade in e fade out — recursos básicos de edição e mixagem.

Sempre achei divertido registrar o material que escrevia. Inserir o computador na minha metodologia de trabalho, mesmo que tardiamente, ajudou a melhorar meus estudos musicais, pois eu estava voltando a tocar. Como pode ser visto nestes vídeos:

Em um segundo momento, adquiri uma Zoom G2.1u — um pedal multiefeitos com pedal de expressão incluso e interface de áudio USB. Muita gente menospreza certos equipamentos por preconceito ou desconhecimento. Entretanto, o G2.1u foi um enorme salto de qualidade para meus estudos e produções caseiras.

Quando voltei a tocar, usei-o nos ensaios e ao vivo, sem nunca ter problemas sérios. Com o pedal veio o Cubase LE 4 da Steinberg. Nele pude fazer edições mais interessantes, automações, inserir plugins e entrar de vez no mundo das DAWs — mesmo com as limitações em relação à versão completa.

Acho que para este tópico já basta. O objetivo aqui era falar um pouco sobre os equipamentos que eu tinha quando comecei a produzir usando o computador, e como cada etapa foi importante.

Acredito que o grande amadurecimento das pessoas que faziam música há alguns anos veio da necessidade de tirar o máximo do que tinham para realizar seu trabalho. Aprendi que, em vez de tentar conseguir aquilo que os outros dizem ser bom, o melhor é extrair o máximo do que já possuo — agregando itens que caibam no meu orçamento, sem comprometer o equilíbrio financeiro da família.

Claro que a maioria das coisas que produzo serve apenas para mostrar a alguns amigos e pôr em prática o que tenho estudado. Entretanto, o objetivo é produzir música com qualidade, independentemente do resultado ou retorno externo que possa ter.

Quando conseguir produzir algo comercialmente útil, terei prazer em divulgar da maneira adequada.

 

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