A banda que salvou o metal
Em 8 de dezembro de 2004, o mundo do metal perdeu um de seus maiores ícones: Darrell Lance Abbott, mais conhecido como Dimebag Darrell, assassinado no palco durante uma apresentação. Nascido em 20 de agosto de 1966, em Dallas, Texas, Dimebag cresceu inspirado por guitarristas como Ace Frehley (Kiss), Randy Rhoads e Eddie Van Halen, desenvolvendo desde cedo uma técnica única e carismática.
Ao lado de seu irmão Vinnie Paul Abbott na bateria e de amigos como Rex Brown, Dimebag fundou o Pantera em 1981. Nos vocais, quem assumiu inicialmente foi Terry Glaze. Com essa formação, a banda lançou três discos independentes que marcaram sua fase inicial:
🎸 Metal Magic (1983)
O primeiro álbum seguia a linha hard rock/glam metal, com influências de Van Halen, Accept, Kiss, Judas Priest e Black Sabbath. Apesar das limitações técnicas de uma banda independente, o disco impressionava pela qualidade da produção e das composições. A guitarra de Dimebag já se destacava, mostrando que o Pantera tinha potencial para ir além dos pequenos palcos.
⚡ Projects in the Jungle (1984)
O segundo trabalho trouxe uma evolução clara: mais peso, mais velocidade e maior coesão entre baixo e bateria. As guitarras ganharam timbres mais encorpados e se tornaram o grande destaque. O vocal de Terry Glaze também amadureceu, e ao vivo a banda conquistava cada vez mais elogios, ampliando sua base de fãs.
🔥 I Am the Night (1985)
Este álbum é considerado o mais fraco da fase inicial e marcou o fim da parceria com Terry Glaze. Embora os elementos característicos ainda estivessem presentes, faltava empolgação. Mesmo assim, o Pantera já havia conquistado notoriedade nos Estados Unidos, chamando a atenção da mídia. Uma gravadora supostamente ligada a Gene Simmons (Kiss) tentou contratá-los, mas Glaze não concordou com os termos e acabou deixando o grupo.
💥 Power Metal (1988)
Com a entrada de Phil Anselmo, vindo da banda Razor White, o Pantera deu um salto em agressividade. Phil regravou algumas partes deixadas por Glaze e trouxe novas composições. O álbum é mais pesado, com riffs que flertam com o thrash metal, e já apontava para a sonoridade que definiria a banda nos anos seguintes. Embora Anselmo ainda soasse tímido, o Pantera mostrava estar pronto para alçar voos maiores.
A fama da banda já se espalhava, e um executivo da ATCO Records foi assistir a um show do Pantera. Impressionado, ofereceu um contrato que mudaria tudo. A banda entrou no estúdio Dallas Sound Lab, em Irving, Texas, para gravar seu primeiro álbum oficial com uma grande gravadora. A partir daí, o Pantera deixaria de ser apenas uma promessa e se tornaria um dos maiores ícones do heavy metal mundial.
Um executivo da ATCO Records foi assistir a um show do Pantera e ficou impressionado. A fama da banda já se espalhava, e eles estavam prontos para se tornar um dos maiores ícones do heavy metal. Com o contrato assinado, o grupo entrou no estúdio Dallas Sound Lab, em Irving, para gravar seu primeiro álbum oficial. A partir daí, acompanhei praticamente em tempo real a repercussão e os desdobramentos da carreira da banda e de seu guitarrista.
⚔️ Cowboys from Hell (1990)
Este álbum foi um divisor de águas para o metal no final dos anos 80. Enquanto o thrash enfrentava dificuldades e o hard pop dominava o início dos anos 90, o Pantera seguia o caminho oposto: ficava mais pesado e abandonava de vez o visual glam dos discos independentes. Os vocais agudos de outrora apareciam apenas em momentos pontuais, e Phil Anselmo já mostrava sua versatilidade.
Produzido por Terry Date, Cowboys from Hell é quase perfeito. A faixa Cemetery Gates resume todas as virtudes da banda: melodia, peso e emoção. Já a faixa-título é um hino de originalidade. A sonoridade moderna, cheia de inovações técnicas, destacou cada integrante: a bateria precisa de Vinnie Paul, o baixo distorcido de Rex Brown, e a guitarra de Dimebag, que sintetizava influências dos anos 70 e 80 para criar o som dos anos 90.
💣 Vulgar Display of Power (1992)
Para muitos, este é o maior clássico do Pantera — e para mim, o melhor disco de todos os tempos. Lembro de quando vi o LP na casa de um amigo, gravei em fita K7 e depois comprei meus próprios exemplares. A capa, um soco no rosto, simboliza bem a agressividade sonora.
Produzido novamente por Terry Date, o álbum trouxe obras-primas como This Love, Mouth for War, Walk e F**ing Hostile*. O lado B do vinil revelou toda a obscuridade e genialidade da banda, com faixas como Regular People (Conceit) e No Good (Attack the Radical). A guitarra de Dimebag parecia um arsenal de armas de fogo, variando calibres a cada riff.
A produção, com graves menos destacados, lançou tendência e reforçou a guitarra como protagonista. O impacto foi tão grande que o sucessor estreou no topo das paradas americanas.
🚀 Far Beyond Driven (1994)
Controverso, mas histórico: foi o primeiro álbum de metal extremo a estrear em #1 na Billboard 200. Faixas como Strength Beyond Strength, Becoming, 5 Minutes Alone e I’m Broken levaram o Pantera ao auge da popularidade, com clipes rodando incessantemente na MTV.
Apesar disso, muitos fãs — inclusive eu — sentiram que o disco repetia fórmulas de Vulgar Display of Power. Algumas músicas careciam de criatividade, e pela primeira vez senti certo cansaço. Nesse período, migrei para estilos mais extremos como death e black metal, enquanto o nu metal começava a dominar a cena.
🐍 The Great Southern Trendkill (1996)
Um álbum agressivo, complexo e obscuro. Gravado em locais diferentes devido às tensões internas, refletia os problemas da banda, especialmente de Phil Anselmo, que enfrentava dores crônicas e mergulhou no uso de heroína.
Apesar da atmosfera sombria, o disco é superior ao anterior em coesão, ainda que sem grandes hits. Suas composições transmitiam a tensão vivida pela banda, tornando-o um registro visceral da época.
🔥 Reinventing the Steel (2000)
O último álbum de estúdio encerrou a carreira do Pantera de forma honrosa. Mais coeso e equilibrado, trouxe todas as características sonoras da banda, com destaque para Revolution Is My Name. Para muitos, seria a retomada do sucesso; na prática, foi o último suspiro de um gigante.
Os projetos paralelos de Anselmo e os conflitos internos afastaram os irmãos Abbott, que seguiram com o Damageplan, enquanto Phil se dedicava ao Down. O relacionamento já estava desgastado antes mesmo do fim oficial da banda.
⚰️ A Tragédia e o Fim
Todas as chances de reunião foram sepultadas em 8 de dezembro de 2004, quando Nathan Gale invadiu o palco durante um show do Damageplan em Columbus, Ohio, e assassinou Dimebag Darrell com cinco tiros, além de outras três pessoas.
Lembro de estar na escola naquela noite e ver a notícia de “alguém morto em um show de heavy metal”. Ao chegar em casa, percebi que falavam de um dos meus heróis da guitarra. Desde Far Beyond Driven, minha paixão pelo Pantera já havia esfriado, mas a tragédia me atingiu profundamente. Nenhum projeto paralelo jamais conseguiu reproduzir a genialidade de Vulgar Display of Power.
🌌 Legado e Nostalgia
Escrevo este texto motivado pelo amor que tenho pela banda — um amor que já foi mais forte, mas nunca desapareceu. O Pantera representa uma época feliz da minha vida que não voltará mais.
Recentemente, assisti ao programa Behind the Music e revivi a dor da perda de Dimebag, mas também a grandeza da banda. Cada vez que ouço seus discos, sinto uma mistura de saudade e prazer. A música do Pantera me lembra quem eu era e me inspira a buscar novamente os sonhos que deixei de lado.
Afinal, a arte é a forma mais bela de armazenar histórias e emoções para saboreá-las nos momentos de nostalgia.
Descanse em paz, Darrell Lance Abbott. Descanse em paz, Pantera. Na minha casa, sempre serão amados, respeitados e venerados.

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