5 álbuns indispensáveis de heavy metal tradicional
5 álbuns indispensáveis de heavy metal tradicional
Saudações, pessoal!
Nesta postagem quero falar de cinco álbuns de heavy metal clássico que considero indispensáveis para quem curte o estilo. A maioria dos fãs de metal já conhece esses discos — e muitos os conhecem muito bem —, mas é sempre bom falar de coisas boas. Então, aí vai!
Não se trata de um ranking definitivo ou de uma lista dos "cinco melhores álbuns de heavy metal de todos os tempos". São simplesmente cinco discos que, dentro do meu gosto pessoal, representam muito bem diferentes características do heavy metal tradicional e que eu indicaria para alguém que quisesse conhecer melhor o estilo.
1. Black Sabbath – Paranoid (1970)
Este álbum, lançado em 18 de setembro de 1970 no Reino Unido, é o segundo trabalho do Black Sabbath e chegou às lojas apenas alguns meses depois do primeiro disco da banda. Nos Estados Unidos, o lançamento aconteceu em janeiro de 1971.
Aqui temos músicas como “War Pigs”, “Iron Man” e “Paranoid”, que se tornaram algumas das composições mais conhecidas da banda. Também encontramos faixas como “Electric Funeral” e “Hand of Doom”, que mostram outras facetas do som do grupo.
O disco foi gravado em Londres, nos estúdios Regent Sound e Island Studios, em 1970. A produção ficou a cargo de Rodger Bain, com Tony Allom e Brian Humphries como engenheiros de gravação. A formação era simplesmente a clássica: Ozzy Osbourne nos vocais, Tony Iommi na guitarra, Geezer Butler no baixo e Bill Ward na bateria.
Aqui podemos conferir todo o peso e a criatividade dos riffs da guitarra de Tony Iommi, a levada criativa de Bill Ward, as linhas de baixo geniais de Geezer Butler e os vocais inconfundíveis de Ozzy Osbourne.
O disco inteiro é muito bom e exerceu enorme influência sobre as gerações seguintes de músicos. É surpreendente como o Black Sabbath continua forte e praticamente unânime entre diferentes gerações de fãs de rock e metal. Paranoid, junto com o primeiro álbum da banda, continua sendo uma referência fundamental para entender a origem do heavy metal.
2. Iron Maiden – The Number of the Beast (1982)
Para muitos, este não é necessariamente o melhor álbum do Iron Maiden. Para mim, entretanto, ele é indispensável quando falamos sobre a consolidação do heavy metal tradicional britânico.
Assim como Paranoid, do Black Sabbath, o disco conta com várias músicas que se tornaram permanentes no repertório da banda, entre elas “Children of the Damned”, “The Number of the Beast”, “Run to the Hills” e “Hallowed Be Thy Name”. O álbum também marcou a estreia de Bruce Dickinson nos vocais e foi o último trabalho do baterista Clive Burr com o Iron Maiden.
The Number of the Beast foi gravado no Battery Studios, em Londres, no início de 1982, e produzido pelo lendário Martin Birch, figura fundamental na construção do som clássico do Iron Maiden. A formação era composta por Bruce Dickinson (vocais), Steve Harris (baixo), Dave Murray (guitarra), Adrian Smith (guitarra) e Clive Burr (bateria).
O álbum foi lançado em 22 de março de 1982, embora a edição britânica tenha chegado ao mercado em 29 de março.
Tanto pela polêmica provocada pela associação do grupo ao satanismo quanto pela genialidade da capa, mas principalmente pela qualidade da banda em termos de produção, composição e performance, pode-se afirmar que este é um dos discos mais importantes e influentes da história do heavy metal.
O Iron Maiden não poupou esforços para divulgar o álbum em suas apresentações, e algumas de suas músicas continuam entre as mais conhecidas do repertório da banda.
3. Judas Priest – Painkiller (1990)
Se algum leigo chegasse para mim e pedisse uma indicação de um álbum que representasse o heavy metal em sua forma mais intensa, eu provavelmente apresentaria Painkiller.
Lançado em 1990, o álbum é especialmente importante por marcar a estreia do baterista Scott Travis no Judas Priest. A formação ainda contava com Rob Halford nos vocais, Glenn Tipton e K.K. Downing nas guitarras e Ian Hill no baixo.
A data de lançamento aparece de maneiras diferentes conforme a fonte e o mercado: 3 de setembro de 1990 é uma data frequentemente atribuída ao lançamento original, enquanto outras fontes registram 17 ou 18 de setembro para determinadas edições. Por isso, prefiro não tratar uma única data como absoluta.
O álbum foi gravado no Studio Miraval, na França, entre janeiro e março de 1990, e posteriormente mixado no Wisseloord Studios, em Hilversum, na Holanda. A produção ficou a cargo de Chris Tsangarides e do próprio Judas Priest.
Painkiller já começa mostrando sua agressividade nos primeiros segundos da faixa-título, com a bateria de Scott Travis praticamente anunciando que o Judas Priest havia entrado nos anos 1990 disposto a continuar sendo uma das bandas mais pesadas do planeta.
É um álbum extremamente homogêneo em termos de qualidade, muito bem produzido e gravado. Rob Halford leva seus agudos ao limite da agressividade, cercado pelo paredão de guitarras de Glenn Tipton e K.K. Downing, que, além do peso, recheiam as composições com solos rápidos e constantes.
Destaco também “A Touch of Evil”, uma música intensa, porém mais cadenciada, que conta com a participação de Don Airey nos teclados.
Na pegada de “Painkiller”, “Hell Patrol” e “Between the Hammer and the Anvil”, o Judas Priest levou alguns conceitos do heavy metal a um nível ainda mais extremo no início dos anos 1990.
E isso aconteceu justamente quando o grunge começava a ganhar espaço como uma alternativa mais simples e direta dentro do rock.
4. Accept – Balls to the Wall (1983)
Não sei exatamente por quê, mas este álbum foi me conquistando aos poucos ao longo dos anos.
Lançado em 5 de dezembro de 1983, Balls to the Wall é um dos grandes discos do heavy metal alemão e representa muito bem a força que o estilo começava a conquistar fora do eixo Inglaterra/Estados Unidos.
O álbum foi gravado entre julho e agosto de 1983, no Dierks Studios, em Colônia, Alemanha, com produção do próprio Accept. Louis Austin trabalhou como engenheiro e Michael Wagener foi responsável pela mixagem.
A formação era composta por Udo Dirkschneider (vocais), Wolf Hoffmann e Herman Frank (guitarras), Peter Baltes (baixo) e Stefan Kaufmann (bateria).
O repertório é muito coeso e mistura riffs clássicos de guitarra com os vocais genuínos de Udo Dirkschneider em grande forma.
A faixa-título tornou-se um verdadeiro hino do heavy metal, mas o álbum vai muito além dela. “Love Child”, “Losers and Winners”, “London Leatherboys” e “Head over Heels” mostram uma banda madura e extremamente eficiente na composição de músicas pesadas, diretas e memoráveis.
O disco todo é ótimo.
5. Mercyful Fate – Don't Break the Oath (1984)
Em 1984, o Mercyful Fate lançou aquele que, para mim, é um dos álbuns mais interessantes de toda a história do heavy metal.
Para muitos, King Diamond é um gênio. Para outros, é um personagem exagerado com uma voz irritante. Eu fico com a primeira opção.
Lançar um disco com uma capa mostrando um demônio no meio do fogo e com o título Don't Break the Oath ("Não quebre o juramento") já demonstra que a banda dinamarquesa não estava preocupada em passar despercebida.
O álbum foi lançado em 7 de setembro de 1984 e gravado em maio daquele ano no Easy Sound Recording, em Copenhague, Dinamarca. A produção e a engenharia ficaram a cargo de Henrik Lund, com Niels Erik Otto também trabalhando como engenheiro.
A formação reunia King Diamond (vocais, teclados e clavicórdio), Hank Shermann e Michael Denner (guitarras), Timi Hansen (baixo) e Kim Ruzz (bateria).
A banda registrou faixas como “A Dangerous Meeting”, “The Oath” e “Come to the Sabbath”, músicas que se tornaram algumas das composições mais marcantes de sua carreira.
Musicalmente, o Mercyful Fate fazia algo bastante criativo para a época. As guitarras de Shermann e Denner trabalham com riffs rápidos, melodias, mudanças de andamento e solos, enquanto King Diamond utiliza sua voz extremamente característica para construir uma atmosfera teatral.
Além disso, as letras relacionadas ao satanismo e ao ocultismo ajudaram a criar uma identidade visual e conceitual que influenciaria diversas gerações posteriores do metal, inclusive bandas de estilos mais extremos.
Muitos podem discordar da inclusão deste álbum neste top 5, principalmente os mais jovens e radicais, mas eu sugiro uma ouvida atenta a estes cinco exemplares. E por que não fazer uma comparação entre eles?
Cinco discos para entender o heavy metal tradicional
Mesmo deixando de lado algumas considerações que fariam esta postagem ficar gigantesca, estes são, dentro do meu gosto particular, os cinco álbuns clássicos que eu indicaria para quem me perguntasse o que ouvir para conhecer melhor o heavy metal tradicional.
Evidentemente, existem muitos outros.
Há um cenário extremamente rico na Inglaterra no início dos anos 1980 que merece ser explorado: a New Wave of British Heavy Metal (NWOBHM). É impossível falar sobre heavy metal tradicional sem mencionar bandas como Iron Maiden, Judas Priest, Saxon, Diamond Head, Angel Witch e tantas outras.
Mas não podemos esquecer que outras bandas de heavy metal tradicional, de diferentes partes da Europa e também dos Estados Unidos, contribuíram igualmente para a afirmação do estilo.
Black Sabbath, Iron Maiden, Judas Priest, Accept e Mercyful Fate representam momentos e características diferentes do metal, mas os cinco discos têm algo em comum: composições fortes, identidade própria, grandes músicos e uma influência que atravessou gerações.
Por isso, fica a dica: coloque esses cinco álbuns para tocar, de preferência sem fazer outra coisa ao mesmo tempo, e tente ouvir cada um pensando na época em que foi gravado.
Talvez você descubra que alguns deles continuam tão atuais quanto eram quando chegaram às lojas.
Dados técnicos dos cinco álbuns
| Álbum | Ano/data | Gravação | Produção | Formação principal |
|---|---|---|---|---|
| Black Sabbath – Paranoid | 18/09/1970 | Regent Sound e Island Studios, Londres | Rodger Bain | Ozzy, Iommi, Geezer, Bill Ward |
| Iron Maiden – The Number of the Beast | 22/03/1982* | Battery Studios, Londres | Martin Birch | Bruce, Steve Harris, Dave Murray, Adrian Smith, Clive Burr |
| Judas Priest – Painkiller | 1990** | Studio Miraval, França; mixagem no Wisseloord, Holanda | Judas Priest e Chris Tsangarides | Halford, Tipton, Downing, Ian Hill, Scott Travis |
| Accept – Balls to the Wall | 05/12/1983 | Dierks Studios, Alemanha | Accept | Udo, Wolf Hoffmann, Herman Frank, Peter Baltes, Stefan Kaufmann |
| Mercyful Fate – Don't Break the Oath | 07/09/1984 | Easy Sound Recording, Copenhague | Henrik Lund | King Diamond, Shermann, Denner, Timi Hansen, Kim Ruzz |
* A data de 22 de março é a indicada pela página oficial do Iron Maiden; a edição britânica chegou ao mercado em 29 de março.
** As fontes consultadas apresentam datas diferentes para Painkiller, dependendo do mercado/edição.

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