5 álbuns importantíssimos do death metal

 Os 5 álbuns importantíssimos do death metal

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Para mais uma daquelas postagens falando de álbuns que considero interessantes e que recomendo, vou apresentar cinco discos de death metal que escutei pelo menos umas mil vezes cada um.

Antes de entrar na lista, gostaria de dizer que, durante uns cinco ou seis anos, o metal extremo foi quase uma obsessão para mim. Comprava toda e qualquer revista que tivesse uma matéria sobre bandas de death metal, black metal, grindcore e splatter. Cheguei a me tornar radical ao escutar música, tamanha era minha fascinação por esses estilos. Dificilmente ouvia outra coisa que não fossem bandas semelhantes às que citarei abaixo.

Uma das coisas que me levou a conhecer melhor esse universo foi um vídeo da gravadora Earache Records que assisti em VHS quando tocava na banda Desaster, no início dos anos 1990. Nele apareciam várias bandas que pertenciam ao selo, que dedicava uma atenção especial ao crescente cenário do metal extremo. Entre elas estavam Morbid Angel, Carcass, Napalm Death e Paradise Lost, entre tantas outras.

Foi nesse período que comecei a mergulhar cada vez mais profundamente nesse universo. E, entre tantos discos que passaram pelos meus ouvidos, cinco deles ficaram marcados de maneira especial.

1. Morbid Angel – Altars of Madness

Altars of Madness foi gravado e mixado no Morrisound Recording, em Tampa, na Flórida, e lançado em 12 de maio de 1989 pela Earache Records. É o primeiro álbum oficial do Morbid Angel, já que o debut gravado anteriormente pela banda, Abominations of Desolation, acabou engavetado pela gravadora.

O que se ouve aqui é um death metal rápido, agressivo e extremamente marcante, com frases dobradas de guitarra que chamam a atenção imediatamente, como em “Visions from the Dark Side”. A velocidade da bateria é impressionante e ajudou a transformar Pete Sandoval em uma das grandes referências da bateria no metal extremo.

A sonoridade apresentada em músicas como “Immortal Rites” e “Chapel of Ghouls” era única para aquele momento. Trey Azagthoth e Richard Brunelle rechearam as composições com guitarras rápidas e muitos solos, enquanto David Vincent urrava suas blasfêmias com um vocal rasgado e rouco.

Este álbum foi, e ainda é, uma enorme influência para o death metal. O surgimento de inúmeras bandas do estilo, além das mudanças sonoras e de formação pelas quais o próprio Morbid Angel passou, acabou tirando um pouco a banda do topo que alcançou durante os anos 1990. Mesmo assim, Altars of Madness permanece como um dos grandes discos da história do metal extremo.

2. Deicide – Deicide

É mais um álbum fantástico gravado no Morrisound Recording, o mesmo estúdio onde o Morbid Angel registrou Altars of Madness. Lançado em 25 de junho de 1990, esse registro chegou a ser comparado ao Reign in Blood, do Slayer, devido à sua importância no cenário metálico daquela época.

Rápido e pesado, apoiado também em uma estratégia de marketing fortemente associada à temática satânica, o Deicide lançou uma verdadeira obra-prima do death metal. A imagem de Glen Benton, vocalista e baixista da banda, também ajudou a construir a fama controversa do grupo, especialmente por suas declarações e performances provocativas.

São aproximadamente 33 minutos de músicas intensas e vocais dementes, que podem ser conferidos em faixas como “Dead by Dawn”, “Sacrificial Suicide” e “Carnage in the Temple of the Damned”.

O álbum abre com o som de portais se abrindo e termina com eles se fechando, criando uma espécie de ciclo.

Eric e Brian Hoffman são guitarristas muito competentes e fazem um trabalho preciso ao misturar peso e agressividade. Steve Asheim completa o time com baterias velozes e precisas que não ficam atrás do trabalho apresentado por Pete Sandoval.

3. Carcass – Necroticism – Descanting the Insalubrious

Este é um álbum que adicionou melodias de heavy metal e estruturas mais complexas ao splatter apresentado pelo Carcass anteriormente. Isso pode ser percebido logo de cara em seu lançamento, em 30 de outubro de 1991.

Terceiro álbum oficial da banda, Necroticism – Descanting the Insalubrious foi responsável por ampliar a notoriedade que o Carcass alcançaria dentro do cenário metálico da época.

A banda promoveu sua composição “Incarnated Solvent Abuse” com um clipe meio amador, mas a exposição da música na mídia contribuiu para que o grupo alcançasse uma notoriedade que, embora não tenha vindo tão precocemente quanto no caso de Morbid Angel e Deicide, acabou atingindo proporções semelhantes.

“Corporal Jigsore Quandary” também é excelente, dentro de um álbum quase totalmente homogêneo.

A formação contava com Ken Owen na bateria, Jeffrey Walker no baixo e nos vocais, Bill Steer e Michael Amott nas guitarras. Apenas Bill Steer, porém, gravou todas as faixas de guitarra do álbum.

Necroticism representa um momento importante na evolução do Carcass, mostrando como a banda poderia partir de suas raízes mais extremas e incorporar elementos mais elaborados sem abandonar a agressividade que a caracterizava.

4. Cannibal Corpse – Tomb of the Mutilated

Tomb of the Mutilated foi gravado no mesmo estúdio de Tampa, na Flórida, onde Morbid Angel e Deicide registraram seus trabalhos. Scott Burns produziu o álbum, consolidando ainda mais a associação entre o produtor, o Morrisound Recording e a sonoridade do death metal da Flórida.

É inegável a importância da região para o death metal mundial. Naquele período, bandas da Flórida produziam sucessivamente álbuns cada vez mais impressionantes, estabelecendo uma sonoridade que influenciaria o gênero em todo o mundo.

22 de setembro de 1992 foi a data de lançamento de Tomb of the Mutilated. Assim como o Carcass, este é o terceiro álbum da banda. Entretanto, seus dois antecessores tinham qualidade igual ou até superior. Foi aqui, porém, que a Metal Blade Records conseguiu fazer frente aos grandes lançamentos da Earache.

A banda contava com Chris Barnes nos vocais, Jack Owen e Bob Rusay nas guitarras, Alex Webster no baixo e Paul Mazurkiewicz na bateria.

As composições possuem o mesmo peso e velocidade comuns às bandas citadas anteriormente, porém o baixo é muito mais presente e trabalhado. A temática das letras dialoga com a proposta do Carcass, embora não seja tão carregada de expressões médicas.

O elemento mais notório do Cannibal Corpse talvez sejam suas capas, de um senso estético doentio, mas perfeitamente apropriado para a proposta da banda e para o estilo.

5. Death – Individual Thought Patterns

Para mim, este é o trabalho mais impressionante da década de 1990 e um dos melhores álbuns de metal de todos os tempos.

Coincidentemente, o Death também estava ligado à Flórida, gravou no Morrisound Studios e teve Scott Burns como produtor. Lançado em 22 de junho de 1993, Individual Thought Patterns foi o quinto trabalho da banda liderada por Chuck Schuldiner.

O Death sempre foi um grupo com identidade própria, mas foi amadurecendo musicalmente ao longo dos anos, especialmente por meio das mudanças de formação. Neste surpreendente álbum, Schuldiner convocou Andy LaRocque para a guitarra, Steve DiGiorgio para o baixo e Gene Hoglan para a bateria.

Se Alex Webster colocou o baixo em evidência no death metal, Steve DiGiorgio levou o instrumento a outro nível, utilizando um baixo fretless e construindo linhas e solos que remetem a Jaco Pastorius em seus melhores momentos, porém dentro de uma banda de metal extremo.

Se a velocidade não é tão intensa quanto nas bandas citadas anteriormente, Gene Hoglan desenvolveu levadas tão intrincadas e técnicas que deram ao álbum uma estética quase jazzística.

Com letras que remetem ao lado mais obscuro da psicologia humana, músicas como “Overactive Imagination”, “Jealousy”, “Nothing Is Everything” e a fantástica “The Philosopher” levaram o Death a outro nível de importância e respeitabilidade.

Individual Thought Patterns mostra justamente por que Chuck Schuldiner não estava interessado apenas em fazer música extrema: havia uma busca constante por evolução, técnica e composição.

O death metal da Flórida

A princípio, eram estes os álbuns que gostaria de apresentar aqui. Gosto muito deles e os colocaria entre os 50 discos mais legais que já ouvi.

É impressionante como a região da Flórida pode presentear o mundo com bandas de death metal tão particulares e de qualidade acima da média. Quatro dos cinco álbuns desta lista estão diretamente associados à região.

Death, Cannibal Corpse, Morbid Angel e Deicide foram bandas essenciais para a força que o metal extremo alcançou nos anos 1990, justamente em uma época em que o grunge nascia e se popularizava, enquanto o thrash metal enfrentava dificuldades e o heavy metal tradicional passava por um período complicado, com mudanças importantes nas formações de grandes bandas.

Repare também que os lançamentos desses cinco álbuns aconteceram em anos consecutivos: 1989, 1990, 1991, 1992 e 1993. Posso dizer que acompanhei essa sequência quase em tempo real. Afinal, naquela época, praticamente tudo chegava ao Brasil com um ou dois anos de atraso.

Vale ainda uma menção honrosa ao Utopia Banished, do Napalm Death, que também tinha muita força naquela época.

O death metal não termina aqui

Claro que o death metal não nasceu com esses álbuns e também não se resume a essas bandas.

Temos o Obituary com seu magnífico e original Slowly We Rot, o Paradise Lost com Gothic, além de Pungent Stench, Entombed e outras bandas que ajudaram a ampliar os limites do gênero e a demonstrar a enorme diversidade existente dentro do metal extremo.

Em determinado momento, thrash metal e death metal praticamente se fundiram em alguns trabalhos, enquanto outras derivações começaram a aparecer. Mas isso já vai muito além do que foi proposto aqui.

Por enquanto, minha recomendação é simples: ouçam esses discos e tenham uma aula de heavy metal da maior categoria.

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