5 álbuns óbvios do hard rock
5 álbuns óbvios de hard rock
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Nesta semana quero dar uma dica óbvia. Vou indicar cinco álbuns de hard rock que não necessariamente considero os melhores do gênero, mas que são praticamente obrigatórios quando pensamos em discos que quase todo mundo já ouviu milhares de vezes — ou, pelo menos, conhece muito bem algumas de suas músicas.
O detalhe é que, mesmo sendo escolhas aparentemente clichês, são álbuns excelentes, ao menos na minha opinião. Porém, muita gente torceu o nariz para eles justamente por causa do enorme sucesso comercial que alcançaram na época de seus lançamentos.
É preciso considerar o tamanho que essas bandas tinham antes e depois desses trabalhos, além da repercussão que provocaram. Outro fator importante é a produção, geralmente de altíssimo nível. Portanto, deixemos de lado o preconceito contra aquilo que fez sucesso e vamos prestar atenção à música.
Appetite for Destruction — Guns N' Roses
Appetite for Destruction é excelente. Mesmo com toda a controvérsia envolvendo a banda e Axl Rose, o álbum consegue ser pesado, bem executado e muito bem produzido. É também o endereço de Sweet Child O' Mine, Paradise City e Welcome to the Jungle, três músicas que estão entre as mais representativas da história do rock.
Lançado em 21 de julho de 1987, o disco chegou a uma cena que já estava bastante saturada de bandas de hair metal, em uma época em que nomes como Mötley Crüe e Poison dominavam as paradas. Destacar-se apresentando um visual e uma sonoridade que, à primeira vista, poderiam parecer semelhantes aos de outras bandas da época é algo que apenas reforça a qualidade do trabalho.
O Guns N' Roses não apenas conseguiu se destacar em meio à concorrência como também cresceu em um período no qual o hard rock começava a perder espaço para o grunge e para as vertentes mais extremas do metal.
Naquele momento, a banda parecia funcionar como uma verdadeira unidade, formada pelos cinco integrantes trabalhando e vivendo para a música. Axl Rose ainda não havia se transformado na figura controversa que posteriormente seria associada à banda, e todos os instrumentos parecem estar perfeitamente integrados aos vocais.
Timbres marcantes, riffs fortes e excelentes canções resumem esse clássico do hard rock, um álbum que ajudou a prolongar a vida comercial do gênero até a primeira metade da década de 1990.
Slave to the Grind — Skid Row
Slave to the Grind é o segundo álbum do Skid Row e foi lançado em 11 de junho de 1991. Depois de um excelente disco de estreia, a banda liderada por Sebastian Bach aproveitou o sucesso alcançado pelo Guns N' Roses e apresentou um trabalho bastante eclético, embora, na minha opinião, irregular.
Temos desde o hard rock pesado de Monkey Business e Livin' on a Chain Gang até as baladas radiofônicas In a Darkened Room e Wasted Time. Há também o punk rock de Riot Act, a cadência de Mudkicker e Get the Fuck Out. A faixa-título surpreende pela pegada próxima do thrash metal.
O grande destaque, naturalmente, é a voz e a interpretação de Sebastian Bach, a quem a banda deve muito de seu sucesso comercial e da exploração de sua imagem.
Uma pena que, ao vivo, a banda nem sempre apresentasse a mesma qualidade dos registros de estúdio, algo que pode ter prejudicado a continuidade de sua trajetória.
Os mais radicais não deram muita atenção ao grupo, enquanto muitos dos fãs ocasionais logo abandonaram a banda. Vieram problemas internos, mudanças de formação e, posteriormente, a saída de Sebastian Bach. Ainda assim, Slave to the Grind permanece como um dos discos mais importantes do hard rock do início dos anos 1990.
Whitesnake — Whitesnake
O álbum Whitesnake, lançado em 4 de abril de 1987, é o registro que apresenta músicas como Is This Love, Here I Go Again e Still of the Night.
O disco é muito bom. A banda já tinha mais de dez anos de estrada e reunia músicos experientes ao longo de sua trajetória, mas esse trabalho foi concebido em condições bastante específicas para conquistar o mercado norte-americano.
O destaque fica para as guitarras de John Sykes e os vocais de David Coverdale.
Foi a grande aposta de Coverdale para entrar definitivamente no mercado dos Estados Unidos — e funcionou. Foi justamente lá que o Whitesnake alcançou enorme sucesso, combinando baladas acessíveis com um hard rock sofisticado e extremamente bem produzido.
A produção é invejável e a grande estrutura oferecida pela gravadora, incluindo investimentos em videoclipes e shows, ajudou a transformar a banda em uma atração capaz de tocar para multidões.
Embora o hard rock já fosse popular desde os tempos de Led Zeppelin, essa segunda metade dos anos 1980 representou um dos momentos em que o gênero esteve mais próximo do grande público.
Lean Into It — Mr. Big
Lean Into It é outro lançamento que entra no pacote das bandas de hard rock que chegaram ao grande público no início dos anos 1990.
Lançado em abril de 1991, o álbum trouxe alguns dos maiores sucessos da carreira do Mr. Big. To Be with You e Just Take My Heart tocaram incessantemente nas rádios e na MTV durante aquele período.
Porém, é em músicas como Daddy, Brother, Lover, Little Boy e Green-Tinted Sixties Mind que a banda demonstra suas maiores virtudes: o trabalho de Paul Gilbert nas guitarras e de Billy Sheehan no baixo.
Os dois músicos se tornaram referências praticamente incontestáveis em seus respectivos instrumentos.
Para os mais radicais, uma banda como o Mr. Big poderia ser motivo de desprezo. Para os instrumentistas, entretanto, a banda sempre despertou admiração pela versatilidade e pela qualidade dos arranjos.
Eric Martin possui uma voz bastante característica e, embora possa não agradar a todos, encaixa-se perfeitamente na proposta da banda. Pat Torpey, por sua vez, é um baterista extremamente eficiente e faz exatamente o que as músicas pedem, sem exageros desnecessários.
No fim das contas, Lean Into It é um excelente exemplo de como o hard rock poderia combinar virtuosismo instrumental, boas composições e apelo comercial.
1984 — Van Halen
1984 é o sexto álbum de estúdio do Van Halen e traz Jump e Panama como os grandes destaques de um disco que apresenta algumas diferenças em relação à sonoridade dos trabalhos anteriores da banda.
Também foi o último álbum de estúdio do Van Halen com David Lee Roth antes de sua saída para a carreira solo.
Aqui, Eddie Van Halen divide seu extraordinário trabalho de guitarra com diversas intervenções de teclado, como acontece em Jump. Mesmo assim, o resultado continua excelente.
Talvez esse álbum represente o auge da banda antes que sucessivos problemas de diferentes naturezas provocassem mudanças, instabilidades e escolhas sonoras controversas. Até aquele momento, o Van Halen parecia praticamente uma garantia de qualidade.
Eddie Van Halen pode ser menosprezado por uma geração que acredita que o acesso a tutoriais e informações disponíveis na internet substitui anos de prática e experimentação. Porém, seu trabalho neste álbum demonstra por que ele foi um dos guitarristas mais inventivos da história do rock.
Sua contribuição para a evolução da guitarra elétrica é inegável. Depois de Jimi Hendrix, poucos músicos transformaram a maneira de tocar o instrumento de forma tão significativa.
1984 é, portanto, muito mais do que o álbum de Jump. É o registro de uma banda no auge de sua criatividade, popularidade e capacidade de unir inovação e apelo comercial.
O sucesso comercial não diminui a qualidade
Bom, espero que tenham gostado da seleção. Mais uma vez, deixo a sugestão de colocar de lado o preconceito e as ideias prontas e simplesmente mergulhar nesses álbuns, ouvindo-os com atenção.
Eles podem surpreender positivamente justamente porque são tão conhecidos.
A popularidade não transforma automaticamente uma música em algo ruim. Da mesma forma, uma banda underground não se torna automaticamente melhor por ser desconhecida.
Nos cinco trabalhos citados aqui, músicos de altíssimo nível, grandes compositores, excelentes produções e canções que atravessaram gerações estão reunidos em álbuns que alcançaram enorme sucesso comercial.
É justamente por isso que vale a pena ouvi-los novamente.
Mesmo com toda a exposição da mídia e com as grandes estratégias de marketing utilizadas pelas gravadoras para vender esses trabalhos, existe algo que nenhuma campanha publicitária consegue fabricar:
uma boa música continua sendo uma boa música.
E esses cinco álbuns de hard rock são ótimos exemplos disso.
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