Carta ao povo brasileiro
Carta ao povo brasileiro
Corrupção, política e a necessidade de mudança
No início do ano, fiz uma postagem intitulada Que 2016 nasça pobre, mas com dignidade. Essa era a minha esperança e o meu desejo como cidadão brasileiro, pai de família, trabalhador e ser humano. Entretanto, o que se vê três meses depois é justamente o oposto.
Depois de ler alguns artigos e assistir a reportagens, escrevi de forma simplificada sobre determinados períodos da história do nosso país e apresentei minha opinião a respeito — sem a pretensão de ser algo além de um brasileiro com alguma educação formal (leia aqui). Também escrevi sobre corrupção e outras questões políticas que influenciam diretamente o cotidiano de cada um de nós (leia aqui).
O fato é que me sinto ofendido com tudo o que está acontecendo no nosso país. Com tudo mesmo: desde a política, passando pelas atitudes das pessoas nas redes sociais, até chegar às conversas informais. Quem sou eu para me ofender? Sou o único que pode se ofender por mim.
Também escrevi sobre como a vida seria mais fácil se fosse vivida de maneira mais simples (leia aqui). Ou seja, escrevo, escrevo e escrevo sobre as coisas que me incomodam, mas tudo parece piorar. Por que, então, continuar escrevendo?
Porque quem cala consente. Não adianta apenas reclamar de que existem somente bobagens na internet e não fazer nada a respeito. Ao menos estou compartilhando assuntos e opiniões que considero úteis e que podem contribuir de alguma forma para outras pessoas.
Independentemente de partido político, veículo de comunicação, idade ou condição social, o Brasil atravessa um caos político e social. De um lado, o governo defende sua governabilidade e tenta preservar sua posição diante das denúncias de corrupção. Do outro, uma oposição que, na minha avaliação, também carrega contradições e tenta vencer uma disputa política que havia perdido recentemente nas urnas.
É claro que uma eleição no Brasil, onde tantas coisas parecem não funcionar como deveriam, não está acima de qualquer questionamento. No meio disso tudo, está o povo, atordoado e dividido, discutindo se A ou B tem razão e até sugerindo a volta da ditadura militar, regime que terminou em 1985. Em vez de compreender o que está acontecendo, parte da população acaba fazendo exatamente o que os poderosos desejam: permanece dividida, confusa e, consequentemente, impotente.
Da ditadura militar à redemocratização do Brasil
Quando eu era menino, aqui no Sul do país, vivíamos uma fase de transformação política e social. A ditadura militar havia perdido sua força, e o medo começava a dar lugar à sensação de que tudo estava liberado, de que, a partir dali, seria possível fazer qualquer coisa.
Durante a ditadura, ocorreram fenômenos que me influenciaram significativamente. Por exemplo, encarávamos a farda como símbolo de repressão. Um policial ou um soldado do Exército era visto como instrumento do governo para conter e restringir a liberdade individual dos cidadãos.
A ditadura também perseguiu manifestações artísticas e culturais, censurando obras e artistas que se opunham ao regime. Por isso, cresci convivendo com rótulos como: “Todo músico é vagabundo e transgressor”.
Havia ainda a ideia de que deveríamos estudar para garantir um emprego decente — e somente para isso, não para adquirir cultura e conhecimento. Na minha interpretação, essa mentalidade ajudava a construir uma sociedade mais conveniente aos interesses de quem pretendia permanecer no poder, além do uso das armas, é claro.
Embora houvesse uma grande sede por mudanças e pela afirmação de ideias contrárias àquele tipo de governo, a mentalidade de boa parte da população ainda era produto daquele regime. Muitos não conheciam outra realidade. Para essas pessoas, as coisas simplesmente eram assim, e não haveria motivo para questioná-las.
Um movimento popular muito forte possibilitou a mobilização em torno do direito de votar diretamente para presidente da República. A redemocratização também restabeleceu, gradualmente, a escolha direta para os diferentes cargos políticos, conforme o processo de transição institucional.
Houve uma grande comoção em favor da mudança. Nossa mordaça parecia ter caído por terra; estávamos tentando nos desvencilhar das correntes que nos prendiam. Parecíamos sobreviventes de uma guerra civil nunca anunciada. Lamentávamos a morte e a perseguição de jornalistas, ativistas, músicos e outras pessoas que haviam lutado pela liberdade durante o período ditatorial.
O Brasil era pobre, mas tinha esperança. Artística e intelectualmente, aquele período produziu belos frutos. Abriram-se portas para o conhecimento de ideias e conceitos que antes haviam sido proibidos ou reprimidos.
Entretanto, um inimigo silencioso continuava presente: a falta de hábito de questionar e analisar criticamente a realidade. Quando finalmente tivemos a oportunidade de escolher diretamente nosso presidente, elegemos Fernando Collor de Mello, em 1989.
Na minha visão, essa eleição representou uma espécie de contrarrevolução produzida pelo próprio povo. Ainda éramos, em grande medida, uma sociedade pouco acostumada a questionar as estruturas de poder e avaliar criticamente as propostas políticas. Era como se um senhor de escravos libertasse seus cativos em uma terra desconhecida: estávamos sem um norte a perseguir e não havíamos aprendido a lidar plenamente com a liberdade recém-conquistada. Como crianças inexperientes, cometemos erros.
A mídia teve um papel importante na construção da imagem pública de Collor e, posteriormente, na cobertura de seu processo de impeachment. Não considero que a mobilização dos caras-pintadas, isoladamente, explique sua queda. Na minha interpretação, os interesses da mídia, dos bancos, das grandes empresas e de grupos políticos tradicionais também tiveram influência nesse processo.
Quem acredita que o presidente caiu exclusivamente porque o povo foi às ruas talvez esteja ignorando a complexidade das relações de poder que envolvem a política brasileira.
Com Collor afastado e Itamar Franco na Presidência, setores mais conservadores voltaram a ganhar espaço. Posteriormente, o Plano Real ajudou a controlar a inflação e transformou a economia brasileira. Entretanto, na minha avaliação, as melhorias econômicas não resolveram uma série de problemas estruturais que continuavam afetando a população, enquanto os interesses da mídia, dos banqueiros e das grandes empresas permaneciam influentes.
O PT no poder e as contradições da política brasileira
Nesse meio-tempo, aqueles que se apresentavam como defensores da classe trabalhadora foram aprendendo as estratégias do jogo político. O discurso popular já estava consolidado, assim como as mágoas e os ressentimentos relacionados à ditadura militar.
Depois de três derrotas eleitorais, Lula chegou à Presidência da República em 2003, após vencer as eleições de 2002. Sua vitória provocou grande comoção e despertou expectativas de transformação social.
Ao longo de sua trajetória política, Lula moderou o discurso e ampliou suas alianças. Aos poucos, vieram questões como a valorização da Petrobras, os investimentos em programas sociais e os escândalos de corrupção que marcaram seu primeiro mandato. Ainda assim, o Brasil continuou acreditando naquela proposta política.
Lembra-se do inimigo silencioso? Pois é, na minha interpretação, ele continuava presente nas estruturas de poder.
Havia quem temesse que Lula não tomasse posse ou que fosse afastado, como havia acontecido com Collor. Entretanto, ele conseguiu estabelecer alianças políticas e permaneceu no poder por dois mandatos consecutivos.
O Brasil não se transformou no paraíso dos pobres, tampouco no regime comunista que alguns imaginavam. O que se viu foi uma narrativa de crescimento e progresso fortemente associada a grandes projetos, obras e eventos internacionais.
A Copa do Mundo de 2014 foi um dos símbolos desse período. Prometia-se mostrar a força da indústria brasileira e modernizar a infraestrutura, o transporte e a comunicação. Muitas pessoas alertaram para os riscos e criticaram os gastos envolvidos, enquanto outras apostavam no chamado legado da Copa, confiando na paixão brasileira pelo futebol.
Depois do evento, vieram à tona investigações sobre dirigentes da FIFA e irregularidades relacionadas a grandes construtoras e contratos públicos. Também surgiram questionamentos sobre obras inacabadas, projetos problemáticos e desperdício de dinheiro público.
A derrota da Seleção Brasileira para a Alemanha por 7 a 1, na semifinal da Copa de 2014, tornou-se um símbolo da frustração nacional. Para mim, aquele resultado também representava a vergonha de um país que havia investido tanto na organização do evento sem resolver uma série de problemas estruturais.
O jogo político e os interesses econômicos
Hoje, o que temos na política brasileira são homens e mulheres que viveram intensamente aquele período, direta ou indiretamente. Muitos carregam as mágoas e as cicatrizes daqueles tempos.
Quando olhamos para o PT, podemos nos perguntar: é aquele partido que lutava pela igualdade social, por condições dignas para todos e contra os bancos, as multinacionais e as grandes concentrações de poder? Ainda existe algum resquício daquelas ideias revolucionárias?
Não culpo quem continua defendendo a antiga imagem do partido. Afinal, aquilo que ele pregava respondia a necessidades reais da população. Entretanto, quando chegou ao poder, em 2003, o partido já havia moderado parte de seu discurso e consolidado alianças que contrariavam as expectativas de setores mais radicais da esquerda.
A antiga mentalidade revolucionária, na minha avaliação, não seria suficiente para sustentar o partido no poder dentro das regras e dos acordos da política institucional. Assim, o PT ampliou suas alianças, inclusive com partidos que haviam representado posições diferentes das suas em outros momentos.
O vice-presidente da República, José Alencar, era um empresário ligado ao setor industrial. Isso evidenciava que o governo reunia interesses sociais e econômicos bastante distintos daqueles que o partido havia enfatizado em sua origem.
Tudo bem, você pode pensar: faz parte do jogo político. E é justamente aí que pode estar um dos grandes equívocos e uma das raízes do problema: o jogo político viciado.
Em 2016, a presidente era Dilma Rousseff, do PT, e o vice-presidente era Michel Temer, do PMDB. Para mim, essa composição simbolizava as contradições de um sistema no qual partidos com histórias e projetos diferentes se unem para chegar ao poder e nele permanecer.
Não precisamos presumir as intenções individuais de A, B ou C para reconhecer o problema. O que importa é perceber como a população pode ser dividida e manipulada enquanto grupos políticos e econômicos preservam seus interesses.
Bancos como Itaú e Santander, além de grandes empresas como Odebrecht e Andrade Gutierrez, apareciam frequentemente no debate público e nas notícias sobre a economia e os escândalos políticos daquele período.
A organização da Copa de 2014 envolveu investimentos públicos, contratos e grandes obras. Na minha avaliação, o evento evidenciou uma união de interesses econômicos e políticos que favoreceu determinados grupos empresariais, enquanto parte dos resultados prometidos à população não se concretizou como esperado.
O Brasil acabou se tornando, aos meus olhos, um espetáculo de desperdício de dinheiro público e de promessas grandiosas. Também houve muita propaganda sobre a posição do país entre as maiores economias do mundo, frequentemente utilizada para reforçar uma imagem de progresso que não correspondia à experiência cotidiana de grande parte da população.
O que o brasileiro recebe em troca dos impostos?
O que restou para o brasileiro? Os benefícios do Bolsa Família? O programa Minha Casa, Minha Vida? Seria essa a contrapartida oferecida pelo governo?
E a segurança, a saúde e a educação? Onde ficam nessa história?
Nosso governo cria emendas, leis e outras medidas legislativas em grande quantidade. Na minha visão, a complexidade da legislação brasileira pode dificultar a compreensão das regras pela população e abrir espaço para que interesses particulares prevaleçam sobre o interesse coletivo.
Trocando em miúdos, a mensagem que fica é a de que a economia brasileira, apesar de ter sido apresentada como uma das maiores do mundo, não conseguiu transformar sua dimensão econômica em melhorias proporcionais para todos. A corrupção e a má gestão dos recursos públicos contribuem para essa contradição.
E por que isso é da nossa conta? Porque somos nós que financiamos o Estado.
Não adianta simplesmente ir às ruas protestar contra o governo. A mídia pode apresentar a manifestação como legítima, enquanto o governo pode descrevê-la como uma iniciativa de grupos oposicionistas interessados em um golpe. Se você vai às ruas para defender o governo, acreditando que todas as denúncias são mentiras e que seus representantes são inocentes, corre o risco de apoiar práticas que, em outras circunstâncias, condenaria.
A internet tornou-se uma ferramenta importante nessa disputa de opiniões. Entretanto, muitas vezes, ela também alimenta uma luta improdutiva contra problemas que os próprios brasileiros dizem repudiar, mas que acabam sustentando ou tolerando em seu cotidiano.
É difícil criticar os programas sociais de um governo que, em tese, destina recursos à educação, à habitação e ao bem-estar da população. Mas precisamos fazer uma pergunta fundamental: não é obrigação do Estado oferecer serviços públicos e condições dignas de vida aos cidadãos?
Não é para isso que pagamos impostos?
Será que a mentalidade de parte da população está tão distorcida que já não compreende essa relação? Não deveria ser uma das funções essenciais do Estado administrar os recursos arrecadados para atender às necessidades coletivas?
Educação pública: uma obrigação do Estado
Precisamos compreender o seguinte: pagamos impostos para financiar serviços como segurança, educação, saúde e infraestrutura. Isso é o básico.
Mesmo assim, muitas famílias precisam pagar por creches, escolas e faculdades particulares para garantir aos filhos uma educação que consideram minimamente aceitável.
Em muitas regiões do país, as escolas públicas enfrentam problemas de infraestrutura, violência, falta de professores e de recursos para o trabalho pedagógico. Também existem dificuldades relacionadas à alimentação escolar, à segurança e às condições necessárias para que os profissionais da educação possam ensinar.
Isso não é, necessariamente, invenção da oposição ou sensacionalismo da mídia. É a realidade vivida por muitas pessoas.
Famílias de baixa renda precisam de creches para deixar seus filhos enquanto trabalham. Precisam de escolas que ofereçam condições para o desenvolvimento intelectual, cultural e social das crianças e dos jovens.
Não podemos aceitar passivamente uma situação em que estudantes terminem etapas escolares sem dominar conhecimentos básicos ou estejam expostos à violência e ao tráfico de drogas no ambiente escolar.
O Estado deve garantir condições para que seus cidadãos tenham acesso à educação desde a infância até o ensino superior, respeitando as responsabilidades e os limites de cada etapa do sistema educacional.
Isso não significa que toda participação privada na educação seja necessariamente ruim. A questão é outra: por que tantas famílias precisam gastar diretamente com serviços educacionais quando já contribuem, por meio dos impostos, para o financiamento da educação pública?
Na minha avaliação, é mais fácil para quem governa apresentar programas pontuais e promessas de acesso do que assumir integralmente a responsabilidade por serviços públicos de qualidade.
Saúde, segurança e infraestrutura: serviços que precisam funcionar
A saúde é outra responsabilidade fundamental do Estado, financiada por recursos públicos. Entretanto, o sistema de saúde enfrenta problemas de financiamento, infraestrutura, filas e atendimento, que podem comprometer a dignidade dos pacientes.
Mesmo quem paga por um plano de saúde privado continua contribuindo para o financiamento do sistema público. Assim, muitas pessoas sentem que pagam duas vezes e, ainda assim, não recebem o atendimento que consideram adequado.
A mesma crítica pode ser estendida à segurança pública, que enfrenta dificuldades para prevenir crimes, proteger os cidadãos e responder às necessidades das comunidades.
As estradas também apresentam problemas de conservação em diferentes regiões, enquanto determinados trechos contam com pedágios administrados por concessionárias. O transporte público, por sua vez, frequentemente é alvo de críticas relacionadas à lotação, ao custo e à qualidade do serviço.
Diante desse cenário, cabe perguntar: para que pagamos tantos impostos no Brasil?
Minha resposta, naquele momento, era direta: para financiar um sistema que, em minha avaliação, desperdiçava recursos e permitia que a corrupção prosperasse.
Tudo o que escrevi até aqui tem um foco principal: a corrupção, mas também a forma como as estruturas políticas e econômicas podem contribuir para sua continuidade.
Se existe uma classe que explora a força de trabalho do proletariado, acima dela há uma classe política que, muitas vezes, facilita e compartilha os benefícios desse sistema.
A base do país é formada por pessoas que trabalham, criam seus filhos, pagam impostos e vivem com os recursos que conseguem conquistar. São elas que sustentam grande parte da atividade econômica e financiam os serviços públicos, mas nem sempre recebem o retorno que deveriam.
É claro que a riqueza e os recursos econômicos não estão distribuídos igualmente. Uma parcela da população concentra uma proporção muito maior dos bens e das oportunidades, enquanto muitos trabalhadores têm acesso limitado aos resultados da riqueza que ajudam a produzir.
Sem o cidadão comum, não haveria mão de obra, atividade econômica ou Estado. E, na minha visão, seria perfeitamente possível existir uma sociedade de trabalhadores e cidadãos cumpridores de seus deveres sem que a corrupção e a associação entre interesses políticos e empresariais continuassem prejudicando a coletividade.
Se uma entidade, instituição ou governo não atende às necessidades de seu povo, precisamos questionar sua atuação e exigir mudanças.
Cabe a cada trabalhador, pai, mãe, estudante, aposentado, criança, idoso, mulher e homem olhar ao redor e se perguntar se aquilo que vê é justo, correto, digno e bom. Independentemente do aspecto analisado, precisamos avaliar a realidade em que vivemos.
A mudança começa na maneira de pensar e agir
O poder da mudança está em cada um de nós. Está na transformação do pensamento, nas atitudes cotidianas e na construção de uma cultura sem preconceitos e sem divisões que impeçam a convivência e a cooperação.
Está em uma escola que ensina a viver com respeito, sustentabilidade e conhecimento cultural. Em uma sociedade na qual as pessoas compartilham o que sabem e trabalham juntas para que as coisas funcionem em benefício da coletividade.
Imagine um mundo em que os doentes sejam atendidos com a devida atenção, sem burocracia excessiva nem longas filas de espera por consultas, exames ou internações.
Imagine poder circular pela cidade à noite ou em plena luz do dia sem temer um assalto, uma tentativa de homicídio ou um atropelamento.
Imagine grandes centros urbanos menos congestionados, nos quais as pessoas não precisem passar horas no trânsito, dentro de um ônibus ou de um veículo particular, apenas para chegar ao trabalho.
Tudo isso exige planejamento, investimento, responsabilidade pública e participação social. Não basta criar programas com nomes atraentes ou anunciar projetos grandiosos: precisamos garantir que os serviços funcionem e atendam às necessidades reais da população.
Acostumamo-nos a comprar coisas que atendem principalmente aos interesses de quem anuncia e vende. Também deixamos de questionar a importância de muitos hábitos e escolhas do cotidiano. Se fizéssemos isso com mais frequência, talvez não permitíssemos que tantos problemas chegassem às proporções atuais.
E não me venham com a conversa de que as eleições, por si só, são a oportunidade de mudança. Naquele momento, eu não enxergava uma alternativa política capaz de transformar o sistema, nem confiava plenamente nas estruturas existentes.
Na minha avaliação, não haveria mudanças profundas na educação, na saúde, na segurança, na mobilidade urbana e na infraestrutura apenas pela alternância entre partidos políticos ou pela simples troca de um modelo de governo por outro.
Esse sistema atende aos interesses de muitos daqueles que se beneficiam dele. Por isso, não podemos esperar que todos os seus integrantes trabalhem espontaneamente para transformá-lo em favor da população.
Esqueça essa hipótese.

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