Recorrendo a segurança dos clássicos

 

Sendo quase que obrigado a seguir com o assunto da postagem anterior, faço uma pausa para refletir sobre alguns aspectos da produção musical — e me deparo com aquilo que diferencia cada profissional ou amador na hora de realizar algum feito: o conhecimento.

Existem diferentes formas de adquirir conhecimento sobre algo, e a mais popular hoje em dia é pesquisando na internet. Basta digitar algumas palavras-chave no Google e uma lista de possibilidades se abre diante de nós.

Porém, se não temos um conhecimento prévio sobre o assunto, não há como saber qual fonte é realmente confiável. No caso da produção musical (aqui me refiro à criação de música, e não à função de produtor musical propriamente dita), lidamos com equipamentos, músicos e técnicas infinitamente diversificados.

Para não ser enganado ou receber informações equivocadas sobre equipamentos e instrumentos, é aconselhável se organizar na hora de estudar: o que vamos fazer, como pretendemos fazer e o que precisamos para isso.

Com o tempo, adquirimos experiência e desenvolvemos um gosto pessoal por instrumentos e ferramentas. E talvez esse seja o critério mais adequado na hora de escolher com o que vamos trabalhar.

Mas e se não conhecemos determinado equipamento — como uma interface de áudio ou até mesmo um computador — e estamos montando um estúdio em casa, como foi o meu caso? O que fazer para não cair no papo de um vendedor ou de um pseudoentendedor?

Baseado nas minhas próprias experiências, comecei a proceder da seguinte forma:

  • Procuro conhecer genericamente o equipamento: suas características, valores e aplicações.

  • Depois, pesquiso nos sites dos fabricantes mais renomados para entender o que diferencia uma marca da outra.

  • E, finalmente, busco um modelo que se encaixe no meu orçamento e supra minha necessidade.

Contudo, não é só isso que tira meu sono na hora de produzir. Às vezes, um equipamento parece suprir todas as necessidades e se encaixar perfeitamente no orçamento. Entretanto, pouco tempo depois, bate o arrependimento por não ter adquirido aquele modelo mais caro, da marca famosa, que demoraria mais para chegar.

É muito fácil um equipamento parar de funcionar ou ter seu desempenho comprometido com o tempo de uso.

O bom é que existem marcas e modelos de instrumentos, equipamentos e softwares que, embora não sejam os melhores do mercado, são comprovadamente muito bons — pela longa vida útil, excelente desempenho e ampla utilização por profissionais do mundo todo.

Quando você compra produtos da Fender, Marshall, Shure, API, entre outros, sabe que está adquirindo qualidade já testada e aprovada em inúmeros trabalhos.

No meu caso, como ilustrei na postagem anterior, tive que tirar o melhor daquilo que eu tinha e adquirir o que meu orçamento permitia quando iniciei minhas investidas no home estúdio.

O mais prazeroso foi conseguir eliminar ruídos e latência de uma placa onboard de um PC montado, editar sons com software gratuito, usar efeitos de um multiefeitos para colorir os elementos da música, escrever dados MIDI, testar microfones baratos, cabos, adaptadores, fazer cursos online, ler muitos manuais e assinar revistas especializadas.

Por incrível que pareça, a maior fonte de conhecimento é o manual do software ou do equipamento. Para nós homens, é difícil admitir isso — mas tirar o tempo necessário para ler o manual antes de usar um equipamento é fundamental para sua correta utilização e para se familiarizar com suas características específicas.

Fiquei tão convencido disso que, antes de comprar qualquer equipamento ou acessório, leio seu respectivo manual para ter certeza de que estou adquirindo aquilo que realmente preciso.

E para terminar: embora utilize há muito tempo Windows e Cubase, foi muito bom instalar o Pro Tools M-Powered 7.4 no meu Mac. Mesmo sendo um sistema simples — composto por uma M-Audio Profire 2626 e uma versão limitada do software — é muito bom trabalhar com um clássico.

Também me orgulho de ter meus dois microfones Shure SM57 e meus dois AT2020 da Audio-Technica. Isso me motiva a falar de algumas marcas na próxima postagem. Vamos ver.

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