As Chaves da Existência

As Chaves da Existência


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“As Chaves da Existência” é o primeiro álbum da Heavinna após o lançamento de alguns singles e dos EPs “Tempestades” e “CV19”. O álbum foi lançado originalmente na sexta-feira, 11 de junho de 2021, com uma prévia integral disponibilizada dois dias antes, em 9 de junho de 2021, para um seleto grupo de fãs em plataformas fechadas.

Gravado por Kako Ramos durante o inverno daquele ano e em meio à pandemia de Covid-19, o álbum segue a estética dos trabalhos anteriores, reproduzindo a experiência acumulada pelo autor, fortemente influenciado pelo punk, pelo grunge e pelo black metal norueguês. A estética do trabalho se baseia na crueza, na espontaneidade e no espírito “faça você mesmo” que caracterizou os estilos citados.

As letras abordam espiritualidade, crítica social e relações humanas em releituras de músicas que já apareceram em trabalhos anteriores, tanto da Heavinna quanto da Waiftown.

1. O Espírito Sobre As Águas (Instrumental)

2. Do Barro Ao Fogo

(Verso 1)

A essência da existência desde o barro fez-me vir

Meu tamanho (a)pós teu banho impossível de medir

Sobre as águas deito as mágoas para o início que a de vir

Recomeço do silêncio pra os limites destruir

(Verso 2)

O medo desde cedo faz o espírito encolher

A alma deve a calma o suspiro pra viver

O fogo neste jogo arde e queima, faz doer

E o mito do infinito entre as sombras faz-me ver

(Refrão)

Do céu irá cair aquele que nos tentará

Cratera irá se abrir para o inferno se formar

Do mar que banha a terra a besta se erguerá

E com dragão que sela o acordo o mundo reinará

(Verso 3)

O pecado ao seu lado por amigo se passou

Paraíso retirado para o mundo te arrastou

Deu-te o vício, meretrício à trapaça se entregou

Desde o início, precipício na sua estrada se formou

(Verso 4)

Do céu irá descer aquele que libertará

O inferno irá abrir e aos pecados condenar

A todo mal da terra culpados vão pagar

História que se encerra ao portal fechará

3. Mãos Nuas

(Verso 1)

Quando explode a violência

Em uma terra sem justiça

Um homem precisa se defender

Precisando de proteção

Sem ter nada em sua mão

Só resta ao justo se esconder

(Verso 2)

Eles pregam a liberdade

Camuflando toda maldade

Pra todos incautos poder enganar

Liberdade é poder viver

Tendo como se defender

De quem tente a ela roubar

(Refrão)

As armas não matam ninguém

São homens que matam uns aos outros

Sem ter com que se defender

Somente inocentes são mortos

(Verso 3)

Andando em carros blindados

Sempre com seguranças armados

O desarmamento sempre pedir

Mas quem encara o frio das ruas

Sozinhos e com mãos nuas

Enfrenta a morte pra não fugir

(Refrão)

As armas não matam ninguém

São homens que matam uns aos outros

Sem ter com que se defender

Somente inocentes são mortos

4. Guerra

(Verso 1)

Olhe nos meus olhos

Encare o seu reflexo

Levante em meio aos fracos

E monte o seu exército

(Verso 2)

Não há fuga do destino

Você jamais será o mesmo

Vai deixar de ser cretino

E lutará pra ter respeito

(Verso 3)

Sem lugar pra inocência

Fracos não serão aceitos

É a lei da violência

Que impõe estes conceitos

(Verso 4)

Esqueça todas suas lembranças

Assuma o seu renascimento

E tome posse de sua herança

Sem temer um julgamento

(Refrão)

Berre ao mundo: Estou vivo!

Declare o início da guerra

Mostre àquele que quer oprimi-lo

Que agora é o Senhor da Guerra hahahah…

(Verso 5)

Os fracos já morreram

Agora só alimentam cães

E os poucos que nasceram

Estão vendendo as próprias mães

(Verso 6)

Só há dor e desespero

O inferno estourou na terra

Você é o grande herdeiro

Para ser o Deus da Guerra

(Refrão)

Berre ao mundo: Estou vivo!

Declare o início da guerra

Mostre àquele que quer oprimi-lo

Que agora é o Senhor da Guerra hahahah…

5. Céu e Terra (Instrumental)

6. Ruas À Noite

(Verso 1)

Ruas desertas e escuras no centro da cidade

Sendo usadas como palcos pra crimes

Sempre tem alguém cometendo um delito

As câmeras de segurança só servem de marketing

(Verso 2)

A pedra da danação é vendida a todos

Cada um que a usa se torna um bandido

O caos da segurança é a verdade mais crua

Não há paz ou vida em casa ou nas ruas

(Refrão)

Essa é a verdade das ruas

O diabo espera em uma esquina

Essa é a loucura das ruas

O poder espera uma propina

(Verso 3)

Educação e saúde são negligenciadas

A segurança pública agora é piada

Não existe esperança a um país como o nosso

Enquanto formos omissos é o fundo do poço

(Refrão)

Essa é a verdade das ruas

O diabo espera em uma esquina

Essa é a loucura das ruas

O poder espera uma propina

7. Alvorecer

(Verso 1)

Acorrentado hoje você está

Esperando um sonho se realizar

Procurou em todos os lugares do mundo

Buscando subir foi acabar no fundo

(Verso 2)

Caminhou estrada à fora fugindo de si

Entregou-se ao acaso se ter pra onde ir

Brigando contra o que tem em seu pensamento

Tentando se livrar do que guarda no peito

(Refrão)

Deixe brilhar em você

A Luz e o calor do alvorecer

Seus planos irão se concretizar

Com um lindo dia que vai começar

(Verso 3)

Estava longe de casa quando se cansou

Chegando ao limite do esforço mas fracassou

Ceifando sem força e dinheiro pra reagir

Caiu de joelhos chorando querendo sumir

(Verso 4)

Agora que parece chegar o fim

Talvez seja a hora de recomeçar

Tudo que passou ficou para trás

Por que não aprender com os próprios erros

(Refrão)

Deixe brilhar em você

A Luz e o calor do alvorecer

Seus planos irão se concretizar

Com um lindo dia que vai começar

8. Teia da Aranha (Instrumental)

A produção foi integral e exclusivamente realizada por Kako Ramos, que escreveu todas as músicas, os arranjos e as letras, gravou vozes, guitarras, baixos e teclados, programou baterias e percussões, além de realizar a mixagem e a masterização.

Kako Ramos usou:

Guitarra Washburn X-Series com captadores passivos Entwistle X3 e cordas D’addario 0.10, amplificador Marshall Valvestate VS100, baixo Cort B01 com captadores ativos Albinoni, palhetas NIG 1.0, correia Basso, cabo Tecniforte e Santo Ângelo, interface de áudio Steinberg UR22 MKII, microfone ST-m01, fones ST-h01, software Steinberg Cubase Pro 8, monitores Yamaha HS8 e teclado controlador MIDI Arturia MKII.

A capa do álbum faz referência às 8 chaves da existência, expostas na bandeja que o guardião segura em frente ao portal entre o “mundo interior” e a realidade material. Essas chaves serão entregues aos viajantes que cruzarão o portal quando receberem o chamado de seus agentes, que preparam sua chegada.

O álbum abre com a faixa instrumental “O Espírito Sobre As Águas”, fazendo menção ao Gênesis bíblico, mas também podendo significar a besta do Apocalipse e até mesmo o primeiro viajante transdimensional. Essa faixa teria alguns versos em uma versão original não lançada, mas permaneceu instrumental para este lançamento, com suas percussões futuristas e industriais.

Na sequência vem a faixa “Do Barro Ao Fogo (Inferno)”, lançada anteriormente, em 2020, como o single instrumental “Batismo”. A letra fala da criação do homem a partir do barro (terra), de sua danação com a primeira queda (Lúcifer e seus anjos) e de sua redenção com a segunda queda (a encarnação do Messias, Cristo). Essa faixa remete mais ao heavy metal melódico de bandas como Helloween na época dos “Keepers...”, com a inserção de teclados e riffs rápidos de guitarra.

A terceira música é “Mãos Nuas”, lançada como single em 2018 ao lado de “Guerra”, no projeto “Preto & Branco”. Se “Do Barro Ao Fogo (Inferno)” remete ao metal mais melódico, essa faixa já lembra mais o heavy metal de Judas Priest e Iron Maiden, com riffs cortantes e dobras de guitarra. Sua letra aborda a situação daqueles que estão entregues à própria sorte em meio à violência e à indiferença dos poderes constituídos. Originalmente chamada de “Antidote”, ela sobreviveu a todas as fases da banda depois da Waiftown.

“Guerra” representa a síntese do estilo da Heavinna. Composta por volta de 2005, sempre foi a base musical da banda. Ela conta com um riff próximo do thrash metal dos anos 1990, tem passagens que remetem ao black metal e sua fusão com o heavy metal tradicional. A letra faz menção a uma voz interior que incita o espírito revolucionário dos oprimidos citados em “Mãos Nuas” e os chama para a guerra.

“Céu e Terra” abre a sequência do segundo grupo de faixas. É uma instrumental lançada como single em 2020 e flerta com a música industrial e artificial, tendo como base apenas a nota dó, explorada em três oitavas. Ela é quase uma composição tribal.

“Ruas À Noite” é uma herança da Waiftown, aparecendo no EP demo “The Time” com o nome de “Madness of The Streets”, mas a composição original remete ao retorno da In Pace, em 2001, e foi a primeira composição a surgir na transição do black metal para o thrash. Seu riff inicial se baseia em “My Enemy”, do Skid Row, mas a sequência já flerta com o heavy metal tradicional, que seria parte frequente das influências da banda. Sua letra fala sobre a realidade enfrentada por quem anda pelas ruas das grandes cidades à noite, convivendo com drogas, prostituição e violência.

“Alvorecer” faz parte da história da Waiftown, quando se chamava “Time” e apareceu no EP demo ao lado de “Madness of The Streets”, mas a composição original é da banda Shekinnah, sendo a primeira faixa escrita por Kako Ramos para aquele grupo. A letra fala exatamente sobre sobreviver às incertezas e aos perigos da noite e ter o amanhecer como inspiração para recomeçar a lutar pelos sonhos. Musicalmente, ela gira em torno do hard rock e do heavy metal tradicional, com dobras de guitarra e um riff marcante.

Por fim, a versão instrumental de “Teia da Aranha” encerra o álbum. Essa composição é um resgate da época da Waiftown, mas não chegou a aparecer em nenhum registro oficial. Era chamada de “Guardian Angel”, e sua letra foi escrita por Fábio Kampf em homenagem a seu filho, Pedro. Entretanto, a letra foi reescrita por Kako Ramos como uma declaração pessoal, mas a temática não se encaixou na proposta do trabalho, e apenas o instrumental foi utilizado. Musicalmente, ela resume harmonicamente a experiência do autor na parte inicial e, na segunda parte, apresenta um riff pesado e passagens mais tradicionais, mesclando heavy metal e hard rock.

“As Chaves da Existência” é o primeiro trabalho da Heavinna lançado pela RouteNote para os serviços de streaming, pois a antiga distribuidora, ONErpm, acabou mudando suas políticas em 2026, o que não agradou a Kako Ramos e acabou obrigando essa migração para uma plataforma alternativa.

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