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Noites de inverno (single)

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            Em algum momento de 2014, decidi retornar ao formato Apple + Pro Tools , que já havia utilizado alguns anos antes. Por comodidade, adquiri uma interface da Avid , da linha Fast Track — fruto da época em que a empresa havia incorporado a M-Audio. O pacote incluía uma versão do Pro Tools Express , um iLok e outros acessórios necessários para o funcionamento do pacote. Lembro-me de ter pesquisado na internet e encontrado um vídeo tutorial do produtor musical Warren Huart , que demonstrava como gravar faixas utilizando exatamente esse conjunto. Já havia adquirido um Mac Mini , e foi nesse ambiente que comecei a registrar uma versão adaptada das músicas da Evocation utilizando meus instrumentos de praxe, uma guitarra Epiphone Les Paul Standart e meu baixo Cort B4 .            A ideia surgiu após a tentativa fracassada de reunir a banda em 2015. Apesar do insucesso da empreitada, dessa reunião nasceram duas gravações: D...

Quantas fontes de renda extra se pode ter?

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  Tradicionalmente, as pessoas do meu entorno — e também aquelas com quem tenho contato por meio da mídia ou das redes sociais — mantêm uma única fonte de renda constante, seja emprego formal, sociedade, trabalho autônomo ou comércio. A minha formação cultural não foi diferente: o ideal seria estudar (algo que não fiz a contento quando deveria), arrumar um “bom emprego”, trabalhar por três décadas e, finalmente, se aposentar. Essa lógica predominante, de que dinheiro se troca por tempo, limita as possibilidades. Mesmo que alguns se esforcem em turnos dobrados, a essência continua a mesma: vender horas de vida em troca de remuneração. Eventualmente, alguém vende algo para saldar uma dívida ou obter dinheiro extra, mas raramente isso se torna uma prática recorrente. O impacto da internet Com o advento da internet, um volume gigantesco de informações passou a estar disponível. É verdade que boa parte desse conteúdo é irrelevante — memes, fofocas e teorias absurdas — mas também sur...

A história por trás do videoclipe de Broken

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A perturbadora história por trás do videoclipe da música Broken , lançado pela Heavinna na última semana de novembro, é verdadeira e remonta à década de 1990 em Cachoeirinha/RS. Por motivos de segurança e privacidade, os nomes dos envolvidos foram substituídos por fictícios, o que naturalmente dificulta qualquer checagem dos fatos. Ainda assim, o objetivo deste relato não é jornalístico ou histórico, mas sim didático e cultural . Broken integra a série de lançamentos que chamo de “filhos feios”, já explicados em um texto anterior, onde detalho aspectos técnicos da gravação ( link ). A escolha dessa faixa para ganhar um videoclipe não foi aleatória: no momento da composição, a história que inspiraria o clipe estava viva em minha memória, pois eu mesmo atravessava uma situação semelhante. A letra, simples e direta, nasceu da necessidade de expressar sentimentos imediatos, sem grandes elaborações poéticas. Musicalmente, foi uma homenagem às sonoridades de Van Halen e Extreme , ainda qu...

O Coringa e sua mensagem oculta

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Estava assistindo ao filme Coringa (2019), dirigido por Todd Phillips — uma tarefa que adiei por seis anos — e cheguei a algumas conclusões um tanto polêmicas. Desde já, adianto que o que mais me chamou atenção no longa não foi seu aspecto artístico. Para uma obra que alcançou tamanho sucesso, elementos como fotografia, roteiro, atuação, ritmo e trilha sonora foram, em minha percepção, tratados com certa negligência. O que realmente merece destaque é o apelo que o filme exerce sobre os jovens e a repercussão que teve entre eles. Inclusive, o próprio algoritmo da plataforma de streaming utilizada para assistir Coringa revelou a mensagem subjacente da obra ao sugerir, como conteúdo relacionado, um documentário sobre Charles Manson. A proposta de um Coringa sem Batman soa como uma espécie de “ode ao vilão”. Se em O Cavaleiro das Trevas o antagonista do Homem-Morcego foi elevado a um patamar artístico brilhante pela interpretação de Heath Ledger — que fez emergir um personagem genial a...

Nostalgia ou incapacidade de viver no presente

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  Quando olho para o passado e me recordo das pessoas que se foram — meus avós, tios, tios-avôs, primos, conhecidos, ex-colegas de escola e trabalho — penso no quanto foram relevantes (ou não) para a minha vida e no espaço que deixaram vazio. Mas essa suposta lacuna sequer existe. Como a natureza nos mostra, o vazio não existe de fato, pois o ar costuma ocupar os espaços onde havia um objeto ou uma pessoa. Entretanto, pessoas não substituem pessoas, pois cada ser humano é único na perspectiva de outro indivíduo. Diante de um dilema aparentemente fútil, esconde-se uma armadilha traiçoeira e muito eficaz nos dias atuais. Quem acaba caindo nela — e todos caem em algum momento — é acometido por depressão ou ansiedade. Não à toa, esses são os grandes males do novo milênio. Quem teria armado essa armadilha? A psiquiatria, os psicólogos, a indústria farmacêutica, os políticos, os empresários gananciosos, os líderes religiosos, a indústria do entretenimento — ou todos juntos? A resposta ...

A influência do black metal na música da Heavinna

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  Quando comecei a tocar violão, como outrora já dissera, minha única ambição era participar dos louvores da igreja à qual frequentava com meus avós. Pudera, naquela época eu tinha apenas uns sete para oito anos de idade e mal havia ingressado na escola (ou nem ingressara ainda). Porém, conforme tinha contato com a cultura externa à rotina de meus avós, eu ia desenvolvendo novos gostos de acordo com as experiências que passava a vivenciar. Foi assim que tive a oportunidade de tocar em uma guitarra plugada a um amplificador, ambos emprestados de um amigo meu. Não demorou para que eu passasse a tocar nas bandinhas do colégio, tanto como guitarrista quanto como baixista. Pois foi no baixo que me destaquei no underground, a partir da entrada na Desaster, que mais tarde seria o núcleo da Evocation por um tempo. Minha participação na Evocation, em particular, foi uma experiência realmente importante. Embora tivesse participado de gravações e alguns shows pequenos, foi com ela que fiz me...

Rotina, arte e a busca por sentido

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Você é daquelas pessoas que acorda cedo de segunda a sexta-feira, pega um transporte qualquer e se desloca de casa para um lugar onde deixa cerca de dez horas do seu dia em troca de um salário ? Ou talvez tenha um cômodo em casa transformado em estação de trabalho, onde fica à disposição de uma empresa vinte e quatro horas por dia? Com esse salário, você paga contas, compra comida, roupas, eletrodomésticos — ou qualquer bugiganga inútil que pareça atraente na internet? Começa cada dia torcendo para que ele acabe logo, cada semana esperando pelo fim, cada ano aguardando pelas férias? Reclama que o salário é insuficiente, o chefe é um otário, os colegas são umas “malas”, a família é um tédio... e que há poucos momentos que realmente valem a pena — talvez assistindo a um filme, maratonando séries, rodando o feed das redes sociais ou jogando? Quantas vezes você sonhou com um salário maior, um emprego melhor, uma família perfeita, momentos de qualidade como uma viagem ou algo realmente int...