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O início de uma paixão

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Em um post anterior falei sobre como as coisas tendem a se degenerar com o passar do tempo e, por isso, só nos resta aproveitar cada momento. Entretanto, algumas dessas coisas parecem eternas e nos acompanham ao longo da vida. Um grande exemplo é a importância de nossas paixões — aquilo que nos diferencia como seres humanos e, muitas vezes, também nos aproxima. Recentemente, alguém me perguntou por que gosto tanto de música. Não sei se essa relação acontece da mesma forma para todos. Estou quase certo de que não. Eu gosto de música como muitas outras pessoas também gostam, mas costumo olhar com desconfiança quem afirma não gostar de música. Isso me parece quase incompreensível. Minha relação com a música começou cedo. Como em muitas famílias pobres e numerosas, havia sempre alguém com um violão em casa. Uma tia minha chegou a ganhar um, mas nunca se dedicou a aprender. E, sejamos sinceros, ninguém naquela família sabia tocar de verdade. Já em idade escolar, aprender violão era uma das ...

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Acordei depois de um sonho que me deixou triste. Nele, eu já estava velho, e tudo que podia fazer por mim já havia sido feito. Cansado e doente, sentei-me em uma velha poltrona. Examinava algumas fotos do passado, tentando preencher a mente com boas lembranças. Entre elas, encontrei uma em que estávamos juntos. Nesse instante, todos os nossos momentos passaram diante dos meus olhos com cores vivas — como um belo filme montado em ordem cronológica. Lá estavam o dia em que nos conhecemos, as conversas que tivemos, nossas brigas, tudo que compôs nossa história. Sorri com as bobagens que dissemos, com nossa juventude e com a esperança de que aquilo duraria por muito tempo. Lembrei-me dos momentos difíceis que enfrentei e nos quais você me deu apoio. Prometemos estar sempre ali um para o outro. Quando você sofreu, eu sofri com você. Enxuguei suas lágrimas e fiz o que pude para transformá-las em sorrisos. Houve dias em que a simples lembrança do seu rosto me deu forças para acreditar que tud...

Por que as coisas morrem?

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  Estamos todos juntos celebrando a alegria de estarmos vivos. Depois de uma semana de trabalho ou mesmo em um dia comum, o que importa é a sensação de que tudo parece alinhado, em perfeita ordem. Nessas ocasiões, pensamos que tais momentos poderiam ser eternos. Olhamos ao redor e vemos nossos amigos sorrindo, ouvimos suas vozes, compartilhamos risadas e histórias. O ambiente nos envolve: as paredes, o cheiro no ar, o brilho da noite e todas as sensações que dão sentido humano à experiência. Histórias começam enquanto outras se encerram, e o mais impressionante é que nunca sabemos se estamos vivendo apenas mais um instante ou o último junto daquelas pessoas. Mas, inevitavelmente, as coisas mudam. As pessoas se afastam, o local perde a vitalidade de antes, e o álcool que antes trazia alegria passa a carregar melancolia. Onde havia muitos amigos, restam apenas alguns conhecidos, com olhares perdidos ou conversas dispersas. Surge a pergunta: para onde foi a alegria de pouco tempo atrá...

A verdade sobre a motivação, o caráter e a diferença entre os homens

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  É possível afirmar, com razoável convicção, que os fundamentos do capitalismo moderno foram semeados ainda na antiguidade, especialmente sob a influência do Império Romano. Embora outros impérios tenham existido antes, foram os gregos e romanos que moldaram o pensamento ocidental e estabeleceram as bases de um sistema que, com adaptações, sobrevive até hoje. O dinheiro, pilar central do capitalismo, tornou-se não apenas um meio de troca, mas o principal termômetro da felicidade e da realização pessoal. Desde a infância, somos condicionados a acreditar que o sucesso está diretamente ligado à acumulação de bens. Essa ideia se enraíza com o tempo, transformando-se em obsessão. Não é raro ouvirmos frases como “Todo homem tem seu preço”, que, de tão repetidas, passaram a ser aceitas como verdades universais. Desde os primeiros anos escolares, o indivíduo é preparado para servir ao sistema. Estuda, se aperfeiçoa, dedica a maior parte da vida à manutenção de uma engrenagem que gira em t...

Gratidão

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  Se nos propusermos a inquirir uma vasta gama de indivíduos, oriundos de diferentes estratos e experiências, sobre qual seria a virtude mais relevante e fundamental da condição humana, seríamos inevitavelmente confrontados com uma pletora de respostas heterogêneas. É perfeitamente comum que muitas pessoas sequer possuam uma opinião solidificada a esse respeito, oferecendo, em contrapartida, respostas vagas e imprecisas. No entanto, tal fenômeno é plenamente admissível, dado que o juízo sobre valores éticos é intrinsecamente subjetivo; cada ser humano possui sua própria perspectiva e escala de valores. Frequentemente, as percepções divergem de forma acentuada sobre um mesmo indivíduo: enquanto uns dedicam admiração a alguém por certas características, outros podem não enxergar o mesmo valor, e assim a divergência se estabelece como regra na convivência social. Entretanto, após um longo e cuidadoso período de reflexão introspectiva e observação do comportamento humano, cheguei à con...

Mudanças

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  Nascemos frágeis, ignorantes e completamente dependentes de terceiros. Antes mesmo de termos consciência de nossa própria existência, o ambiente em que estamos inseridos começa a nos moldar. Essa influência precoce se perpetua e se transforma na primeira regra silenciosa que aprendemos a seguir. Tornamo-nos dependentes de costumes, padrões e acontecimentos que nos cercam, predispostos a aceitar o que nos é imposto sem questionamento. E quando ousamos questionar, o fazemos de forma superficial, sem convicção. Aos poucos, somos moldados por tudo: o que comemos, o ar que respiramos, as palavras que ouvimos, os gestos que presenciamos. Cada elemento do cotidiano atua como um cinzel invisível, esculpindo nossa percepção e nossa identidade. Na infância, lutamos para nos mover, ficar de pé, caminhar. À medida que nossos corpos evoluem, nossas necessidades mudam. Aprendemos a falar, a compreender o mundo à nossa volta. Quando chegamos à escola, já carregamos uma bagagem essencial para a ...

Natal

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  O Natal é irritante porque é inevitável: todos os anos ele está presente, impossível de ignorar. Aprendi certas coisas sobre a vida por conta própria, de forma autodidata. Não foi em livros, sites ou na escola que tive acesso a determinadas informações. Tenho espiado por trás das cortinas que cobrem os bastidores da existência, tentando descobrir o que realmente move o ser humano. Como muitos, observo pessoas que transitam livremente entre a loucura e a genialidade, formando seus conceitos e filosofias. Com o passar dos anos, o Natal foi perdendo significado para mim. As experiências vividas me mostraram que os momentos dignos de lembrança e celebração estão espalhados ao longo do ano, não concentrados em datas específicas. Foram em dias comuns que conheci as pessoas mais interessantes da minha vida. Afinal, todo dia é comum até que algo especial aconteça. É da natureza dos dias começarem enfadonhos e ganharem valor ao longo das vinte e quatro horas. Mas nessa época de fim de ano...