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Contribuição solidária

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  Aprender algo e sentir satisfação apenas pelo ato de saber pode ser visto como um estado raro: talvez uma patologia psicológica desconhecida ou, quem sabe, um estágio evoluído da existência. Conheci pessoas que praticam esportes apenas pelo prazer de fazê-lo, sem buscar vitória ou reconhecimento. Da mesma forma, há quem compartilhe conhecimento livremente, mesmo sabendo que sua atitude pode fortalecer concorrentes com informações valiosas. E, claro, existem aqueles que dividem suas poucas posses com outros, mesmo tendo quase nada. Todas essas atitudes se conectam ao tema da solidariedade. Em uma reflexão anterior falei sobre o ego e sua importância como motor da vaidade humana. Agora, proponho analisar brevemente os exemplos citados para iluminar possíveis explicações. Quem pratica esportes e se sente realizado apenas em competir pode ser visto como um desportista “mediano”. Mas, ao mesmo tempo, pode estar cuidando da saúde, mantendo o corpo em forma ou simplesmente buscando pert...

A banda que salvou o metal

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Em 8 de dezembro de 2004, o mundo do metal perdeu um de seus maiores ícones: Darrell Lance Abbott , mais conhecido como Dimebag Darrell , assassinado no palco durante uma apresentação. Nascido em 20 de agosto de 1966, em Dallas, Texas, Dimebag cresceu inspirado por guitarristas como Ace Frehley (Kiss), Randy Rhoads e Eddie Van Halen , desenvolvendo desde cedo uma técnica única e carismática. Ao lado de seu irmão Vinnie Paul Abbott na bateria e de amigos como Rex Brown , Dimebag fundou o Pantera em 1981. Nos vocais, quem assumiu inicialmente foi Terry Glaze . Com essa formação, a banda lançou três discos independentes que marcaram sua fase inicial: 🎸 Metal Magic (1983) O primeiro álbum seguia a linha hard rock/glam metal , com influências de Van Halen , Accept , Kiss , Judas Priest e Black Sabbath . Apesar das limitações técnicas de uma banda independente, o disco impressionava pela qualidade da produção e das composições. A guitarra de Dimebag já se destacava, mostrando que ...

Recordando os tempos do vinil

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  Recordar é reviver situações e voltar a sentir sensações esquecidas. Normalmente, o que mais nos marca são as experiências vividas e os sentimentos da juventude. Quando jovem, eu era daqueles caras que trabalhavam em qualquer emprego apenas para juntar dinheiro e investir em discos, camisas de bandas, pedais de guitarra, fitas cassete e tudo o que orbitava o universo musical. As lojas eram o nosso ponto de encontro com as novidades: era lá que descobríamos lançamentos, trocávamos informações e alimentávamos nossa paixão. Inúmeras vezes saí de casa com ressaca em um sábado de manhã para ir ao centro de Porto Alegre comprar alguma coisa. Isso fazia parte da rotina, era quase um ritual. Reservar tempo para essa busca era essencial, e cada compra trazia um prazer imenso. Ao adquirir um disco, eu passava horas explorando a capa, o encarte, imaginando o momento de chegar em casa e colocar a “bolacha” para rodar. Na semana passada, tive a oportunidade de reviver esse hábito que tanto a...

Fundamentos e motivações de um músico

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  Gostaria de comentar a respeito de algo que, ao menos a meu ver, está sendo deixado em segundo plano: a fundamentação musical. É incrível como o fácil acesso à informação tem mudado os conceitos das pessoas. Em alguns aspectos, isso tem trazido melhorias; em outros, tem piorado bastante. Quando comecei a estudar música, no final dos anos oitenta, minhas ambições eram muito modestas. Por exemplo, queria aprender a tocar a introdução de “One”, do Metallica, no violão — e, com muita sorte, trechos curtos e riffs de outras músicas. Para isso, estudei os fundamentos do violão: suas técnicas, escalas musicais, acordes, andamentos e divisões rítmicas. Todos esses conceitos levam tempo para serem absorvidos e aperfeiçoados — mais para uns do que para outros — mas levam tempo. Depois vem a prática em conjunto, a colocação de texturas, arranjos, vozes e outras variáveis de cada estilo musical, para quem pretende seguir tocando e estudando. Porém, apenas tocar um riff, um trecho de solo ou ...

Primeiras escolhas

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  Uma das características mais notórias do mercado musical é o alto valor dos equipamentos. Claro que existem aqueles que prometem oferecer uma resposta igual ou superior aos tops de linha por um preço mais acessível. Entretanto, nada custa metade ou um terço do valor de um equipamento similar sem motivo. O valor agregado de um equipamento tem diversas origens: a forma como é construído, o material, os componentes, a durabilidade e suas características. Todos esses aspectos devem ser levados em conta. É importante ter em mente que a música é um hobby caro e, quando se trata de investir profissionalmente, pode até assustar. Independentemente da quantia disponível para investir, é possível gastar de forma justa e obter um resultado condizente com o valor aplicado. Certos equipamentos são muito caros e, mesmo assim, podem não contribuir para a qualidade final do trabalho de maneira que justifique o investimento. Nesse caso, o equilíbrio é o fator mais importante. Evitar exageros na ho...

Recorrendo a segurança dos clássicos

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  Sendo quase que obrigado a seguir com o assunto da postagem anterior, faço uma pausa para refletir sobre alguns aspectos da produção musical — e me deparo com aquilo que diferencia cada profissional ou amador na hora de realizar algum feito: o conhecimento . Existem diferentes formas de adquirir conhecimento sobre algo, e a mais popular hoje em dia é pesquisando na internet. Basta digitar algumas palavras-chave no Google e uma lista de possibilidades se abre diante de nós. Porém, se não temos um conhecimento prévio sobre o assunto, não há como saber qual fonte é realmente confiável. No caso da produção musical (aqui me refiro à criação de música, e não à função de produtor musical propriamente dita), lidamos com equipamentos, músicos e técnicas infinitamente diversificados. Para não ser enganado ou receber informações equivocadas sobre equipamentos e instrumentos, é aconselhável se organizar na hora de estudar: o que vamos fazer, como pretendemos fazer e o que precisamos para iss...

Muito prazer, mundo digital

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Eu me sinto privilegiado por várias coisas. A mais importante delas é minha paixão por música. Não existe nada que me dê mais prazer do que mexer com algo relacionado a ela. Foram horas e mais horas lendo biografias, matérias de revistas, tablaturas e partituras, assistindo VHSs, depois DVDs — e, claro, escutando muita música. Gravei em fitas ADAT nos anos 90, acompanhei os primeiros anos do Pro Tools e, de algum tempo pra cá, tenho feito minhas próprias gravações em meu home estúdio — mais em nível didático. Também tenho estudado e mexido em alguns equipamentos, chegando até a construir protótipos para entender seu funcionamento. Esse parágrafo introdutório serve para retomar o assunto da postagem anterior e seguir falando sobre algumas preferências e costumes meus, ilustrando com experiências pessoais. Falei das guitarras que já tive e dos instrumentos que possuo hoje. Neste texto, quero falar dos primeiros registros caseiros que fiz e das ferramentas que tive à disposição antes de m...